A desvalorização cambial resgatou a vinculação da cotação do boi gordo ao dólar, memória apagada desde quando foi instituído o Real. Com a queda da moeda, o pecurista fez as contas e viu que em menos de uma semana a arroba do boi caiu para US$ 16,00, bem inferior ao nível histórico de US$ 22 a arroba, que vigorava no período inflacionário.
Está retendo os animais no pasto, uma forma de pressão pelo ajuste. ‘‘O pecuarista está imaginando que vai vender o boi no mesmo patamar da banda cambial’’, ironizou o diretor do Sindicato da Indústria da Carne, Péricles Salazar. Ele atribuiu a pressão aos grandes pecuaristas que estão segurando os animais no pasto.
Os pecuaristas têm a colaboração do clima. ‘‘Fosse um período de desova de animais de confinamento, em que o pecuarista precisa desembolsar recursos para a alimentação dos animais, a desova seria mais rápida’’, afirmou Salazar.
Os frigoríficos estão comprando animais de produtores pequenos, cujo poder de fogo não é tão intenso. Mesmo assim, a arroba do boi aumentou de R$ 29,00 para R$ 31,00 para compra de pequenos lotes. Os frigoríficos reajustaram o preço da carne ao comércio varejista em 10%. O traseiro está em R$ 2,45 o quilo.

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