Mudança confunde até professor de matemática
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de maio de 1997
Agência Estado 
Nunca vi tanta confusão no mercado financeiro, lamentava o professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho, sexta-feira à noite. O comentário referia-se às mudanças feitas pelo governo no IOF na semana passada. A alíquota subiu de 6% ao ano para 15% ao ano. Até aí, tudo bem. A confusão se formou em torno da base de cálculo do imposto. Acompanhe: primeiro o mercado entendeu que a base de cálculo continuava sendo o valor global a ser financiado. O resultado era um aumento escorchante do imposto: em um financiamento de R$ 10 mil, por 12 meses, a juro de 6% ao mês, a prestação de R$ 1.268,90 (com o IOF antigo de 6%) subia para R$ 1.403,26, ou 10,58%. Com a publicação do decreto do IOF na terça-feira, e após muita discussão, parte do mercado entendeu que a base de cálculo do IOF não era mais o valor financiado, mas sim cada prestação em seu valor presente (ou seja, sem os juros). Com isso, a prestação anterior subia para R$ 1.286,90, e não mais para R$ 1.403,26. No entanto, a Receita Federal e o Banco Central divulgaram nota com outra fórmula de cálculo: aí a base de cálculo era o resultado do valor financiado dividido pelo número de prestações. Por esse caminho, a prestação anterior, de R$ 1.268,90, sobe para R$ 1.298,25.


