O alargamento da banda cambial anunciado ontem pela equipe econômica do governo não terá impacto no mercado de café. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Estado do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, a medida irá beneficiar apenas quem havia vendido o produto para o mercado externo e fixado o valor e ainda não havia realizado operação de recebimento. ‘‘Neste caso, o vendedor irá ganhar a diferençaprovocada pela desvalorização do real frente ao dólar’’, comentou. A desvalorização ficou em 8,96%.
Mas as alterações no câmbio não beneficiam quem vendeu, mas não havia fixado. ‘‘Porque o próprio mercado interno deve ter uma melhora dos preços da para frente, que acabará anulando este ganho com a desvalorização do real’’, explica Ferreira.
Segundo Ferreira, as cotações da Bolsa de Nova York, que abriram o pregão de ontem com forte baixa, acabaram fechando em alta. O corretor observou que os importadores sabem que o mercado interno enfrenta dificuldades para comprar café. ‘‘Os importadores tinham necessidade de fixar o produto e acabaram provocando altas nas cotações em Nova York para atrair os vendedores no mercado nacional’’, comenta. Ferreira observou que os importadores da Europa trabalham com estoques baixos num período (inverno) em que o consumo da bebida é alto.
Mas a estratégia dos importadores acabou não vingando, e os negócios no mercado brasileiro acabaram ficando travados. Ferreira observa que os produtores se beneficiaram com a prorrogação das dívidas de custeio, o que acabou dando fôlego para que o setor segure as ofertas de café. ‘‘Os produtores também sabem que o mercado trabalha com tendência de alta, sustentada pelos problemas da safra brasileira e com a safra da América Central comprometida pelo furacão Mitch’’, observou.
Segundo o corretor do Escritório Marrequinho, Márcio Tavares de Menezes, outro fator que provocou altas na Bolsa de Nova York, foi o anúncio do relatório da safra brasileira de café pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo Menezes, o relatório aponta uma safra entre 23 milhões e 27 milhões de sacas de 60 kg. ‘‘O intervalo é muito grande, o que acabou provocando confusão no mercado, com oscilações na Bolsa de Nova York’’, observou.
No mercado interno, segundo Ferreira, as cotações ofertadas pelos compradores acabaram subindo R$ 2,00/saca. A saca do café bebida rio ficou em R$ 127,00 e o bebida dura, tipo 6, foi cotado a R$ 145,00. Mas a alta interna também não atraiu os produtores.

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