Uma instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tornará obrigatória a tipificação das carcaças bovinas nos frigoríficos ainda este mês. A medida, que tem o objetivo de melhorar a remuneração do produto através da classificação da carne, foi divulgada ontem por José Amauri Dimarzio, secretário executivo do Mapa. Ele esteve em Londrina para visitar a 44 Exposição Agropecuária e Industrial.
O representante do ministério também anunciou algumas mudanças no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). Uma das novidades implantadas é que, para obter o registro, o criador tem que usar dois marcadores diferentes na identificação do animal. Pode ser o brinco associado ao chip, à marca de fogo ou à tatuagem na orelha, entre outras opções. O objetivo é evitar a perda das informações sobre os animais no caso de um dos marcadores se perder.
O Mapa também agilizou o registro de novas certificadoras e treinou 26 auditores para atuarem junto a essas empresas. Hoje são 27 certificadoras cadastradas, mas a previsão é que sejam 40 em todo o Brasil, incluindo as associações de raça que poderão, em breve, atuar na certificação de origem.
A partir de 1º de agosto deste ano, todos os aimais PO (puro de origem) que participam de leilões terão que ser registrados no Sisbov. A partir de 1º de novembro, a exigência se estende ao gado de cruzamento industrial.
Atualmente, 10% do rebanho brasileiro é rastreado. O volume corresponde a 15 milhões de animais. O número de bois inclusos no cadastro do Mapa aumentou de 20 mil cabeças diárias, no ano passado, para 70 mil cabeças por dia em 2004. Por enquanto, a rastreabilidade é obrigatória para animais com destino à Comunidade Européia. O prazo para que a medida atinja todo o rebanho brasileiro termina em 2007.
Questionado sobre possíveis decisões do ministério com relação à soja transgênica, Dimarzio afirmou que o projeto da lei de Biossegurança, que define a questão, precisa ser aprovado ainda esse ano, já que o plantio do grão transgênico está autorizado apenas para a safra atual. A adoção da autorização definitiva, em sua opinião, ''é uma questão de tempo''.
''As pesquisas sobre o tema estão em ritmo normal'', afirmou Dimarzio, que já foi presidente da Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem). Ele também disse que o Paraná não vai conseguir a declaração de área livre de transgênicos enquanto não fornecer informações suficientes para comprovar o fato. Neste ano, o Mapa recebeu quase 600 declarações de produtores informando que plantariam sementes geneticamente modificadas no Estado.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não participou da abertura da exposição, na semana passada, porque compareceu a uma reunião para discutir encaminhamentos para o problema das invasões de terra. Para Dimarzio, a principal dificuldade da reforma agrária é a demora na finalização dos processos de assentamento. ''Quando o governo dá a solução, já não é uma solução tão boa'', afirmou, acrescentando que o Brasil tem muita muita terra que pode ser usada para assentamentos ''sem perturbar a produção agropecuária''.

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