Muda perfil exportador do País
Gecy Belmonte
Da Agência Estado
Dos 59 setores exportadores que integram o Programa Especial de Exportações (PEE) 17 registraram aumento nas exportações (10 deles com índices acima de 14%) enquanto 42 tiveram desempenho negativo nos nove primeiros meses deste ano em comparação a igual período do ano passado, conforme levantamento feito pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Apesar do saldo negativo, o assessor especial da Camex, Ruy Pereira, afirma que o mais importante é o resultado que o crescimento desses 17 setores evidencia: uma mudança no perfil exportador brasileiro. São produtos com maior valor agregado, sem tradição na exportação, que estão abrindo novos mercados, o que prova que a política do PEE está no rumo certo, afirma.
Entre os 10 setores que vêm apresentando desempenho positivo contínuo ao longo das sucessivas avaliações do Programa Especial de Exportações dois registraram crescimento acima de 50% nos nove meses deste ano em relação ao mesmo período de 1998: frutas (57,7%) e indústria aeronáutica (54,1%). Em terceiro lugar nessa lista comparativa vêm computadores e acessórios, com aumento de 37,4%, seguido de carne bovina e de frango, com crescimento de 35,5% e 23,6%, respectivamente.
Madeira industrializada, produtos farmacêuticos e derivados de petróleo também encabeçam a lista, com aumentos respectivos de 23,4%, 21,4% e 21,3%. Por último, estão os metais não-ferrosos, com um acréscimo de 15,6% vidro, com aumento de 14,7% nas exportações.
Além desses 10 setores que tiveram crescimento expressivo, Ruy Pereira destaca a participação dos outros sete que passaram a ter bom desempenho nas exportações a partir deste ano em relação aos nove primeiros meses do ano passado: suco de frutas tropicais, exceto laranja (mais 27,2%); pescado (mais 12,6%); cachaça (mais 11,5%); Móveis (mais 8,5%); papel e celulose (mais 3,3%); chocolates e produtos de confeitaria (mais 1,5%) e bens de telecomunicações (mais 0,3%). No total, esses 17 setores responderam por 24,8% do total as exportações realizadas até setembro que foram de US$ 4,187 bilhões.
Ruy Pereira explica que os 42 setores do Programa Especial de Exportações que tiveram desempenho negativo são aqueles mais tradicionais da pauta de exportações, muitos deles com forte dependência da América Latina ou que foram afetados pela queda no preço das commodities no mercado externo. Desses 42 setores, por exemplo, 19 (indústria mineral, café, complexo soja, açúcar e álcool, químicos, calçados, suco de laranja automóveis, autopeças, veículos de carga, eletroletrônicos, entre outros) representam 51,3% do total exportado de janeiro a setembro deste ano. Como a diversificação das exportações é uma coisa recente, esses setores ainda são dominantes, observa.
Os 17 setores que apresentaram resultado positivo, segundo Ruy Pereira, vêm de alguma forma sendo beneficiados por muitas ações do Programa Especial de Exportações, seja através de financiamentos via BNDES e Banco do Brasil, de medidas de promoção comercial apoiadas pela Agência de Promoção de Exportações (APEX) ou por ações desburocratizadoras.





