Curitiba - Diante de uma platéia de cerca de 3 mil agricultores paranaenses, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), afirmou, ontem, que, no prazo de dez anos, pretende transformar seu estado no maior produtor de grãos, fibras e carnes do País. Mesmo sabendo que, para isso, ele terá que desbancar o Paraná que, com uma produção de 27 mil toneladas na última safra, mantém posição histórica como líder na produção de grãos no Brasil, os agricultores presentes saíram impressionados com os números apresentados pelo governador
Hoje, segundo Maggi, o Mato Grosso tem 7 milhões de hectares em área cultivada. Seu plano de governo prevê um crescimento de 10% ao ano até chegar, em 2012, a uma área de 45 milhões de hectares. ''Desde 2002 já estamos crescendo acima disso'', afirmou. Segundo o governador, apesar do seu estado ter clima e topografia bons para a agricultura, ''a fertilidade do solo era zero''. Para melhorar a produtividade, uma das primeiras ações de seu governo foi realizar pesquisas municipalizadas para identificar o cultivo adequado a cada região, Com isso, a produtividade de 1,8 mil quilos por hectare aumentou para atuais 3,1 mil quilos por hectare.
Para o vice-governador e secretário da Agricultura do Paraná, Orlando Pessuti, que também participou do evento, o Mato Grosso tem todas as condições de ultrapassar o Paraná. ''O estado tem área, coisa que nosso Estado não tem mais. É só disponibilizar logística, como a construção de armazéns, e ele pode vir a ser um grande estado em produção agrícola'', diz Pessuti.
Os maiores problemas enfrentados no Mato Grosso, de acordo com Maggi, são as distâncias dos portos e o reduzido número de estradas. ''Era preciso ter criatividade para manter um preço compatíveis com o restante do mundo'', conta. Uma iniciativa foi a criação da hidrovia Madeira-Amazonas. Outra medida foi a construção de estradas por meio de consórcios rodoviários, entre governo e produtores, com investimento de 50% dos recursos de cada uma das partes.
Nesse sistema, já foram construídas 46 rodovias consorciadas, e o objetivo é construir mais 13 mil quilômetros até o fim de seu governo. Para gerenciar as estradas, será implantado o pedágio de manutenção, também com recurso das duas partes.
Ele reafirmou sua posição favorável aos transgênicos. ''Não é justo proibir o acesso a um avanço na ciência'', disse, ressaltando. ainda, os ganhos do agricultor, já que o plantio de transgênicos é cerca de 15% menor. Nesse sentido, ele defende que os países que não querem comprar produtos transgênicos, como acontece na Europa, paguem um valor maior pelo produto convencional. ''O agricultor é que não pode pagar mais caro por isso.''

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