MST permite vacinação do rebanho na Fazenda 7 mil
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Maurício Borges Enviado a Jardim Alegre 
Veterinários da Secretaria da Agricultura tiveram acesso liberado ontem, para iniciar a vacinação contra febre aftosa, ao rebanho bovino da Fazenda 7 Mil, em Jardim Alegre (130 km ao sul de Apucarana, e conseguiram vacinar o 1º lote de 250 animais, arrebanhados com auxílio de peões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O bloqueio dos sem-terra ameaçava o plano de controle da aftosa lançado pela Seab, com uma área de risco de quase 7 mil alqueires.
A discussão entre técnicos e o MST, que ocupa fazenda há mais de 3 anos, já durava 45 dias. A ameaça de intervenção da Polícia Militar, visando cumprir o plano de vacinação 100% contra a febre aftosa, mudou a posição dos sem-terra que a partir de ontem permitiram o acesso dos veterinários da Defesa Sanitária Animal (DSA).
Durante o impasse com os técnicos da Seab, o MST bloqueou a entrada principal da fazenda, impedindo o trabalho dos técnicos por várias semanas. Mas nos últimos dias os sem-terra decidiram tirar parte do rebanho da fazenda, soltando-o em estradas da região.
Há uma semana os acampados soltaram um lote de 665 bovinos numa estrada rural de Arapuã (160 km ao sul de Apucarana) e, depois, outro de 250 animais, na mesma região. E, ontem, peões do MST começaram a arrebanhar o gado da fazenda para que os veterinários pudessem fazer a vacinação.
O trabalho no local deve durar mais 5 dias, considerando que a fazenda 7 mil tem pastagens em 10 retiros. Líderes do acampamento, que concentra 2 mil pessoas, estimam que existam mais de mil bovinos na área. O gerente da fazenda, GIlberto Pereira Martins, garante que, quando a fazenda foi invadida, em abril de 97, haviam 12 mil animais, da raça nelore. Depois disso, o MST soltou muitas boiadas na região e, hoje, assegura que já cultiva 3 mil hectares em lavouras.
As fazendas Canadá e Corumbataí, mais conhecidas por 7 mil, foram declaradas improdutivas por laudo do Institudo de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas o proprietário da área, o industrial paulista Flávio Pinho de Almeida, conseguiu derrubar o decreto presidencial de desapropriação - por irregularidades no processo - e aguarda, há mais de 2 anos a reintegração de posse no seu imóvel.


