MST colhe em Arapongas feijão para o Fome Zero
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segunda-feira, 09 de junho de 2003
Phoenix Finardi<BR>Reportagem Local 
Aricanduva - Os agricultores do assentamento Dorcelina Folador começaram, ontem, uma colheita especial: a da primeira lavoura de feijão plantado especialmente para o Projeto Fome Zero. O assentamento, a 6 quilômetros do distrito de Aricanduva, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), é um dos dois escolhidos no Paraná para uma parceria experimental entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Instituto Ação da Cidadania, ONG que administra o Fundo Herbert de Souza Brasil Sem Fome para o Programa Fome Zero.
Por intemédio da parceria, o instituto financiou a produção de 50 hectares de feijão no Paraná. Cada assentamento recebeu R$ 17,5 mil para custear o plantio de 25 hectares. O assentamento Dorcelina Folador, que plantou no início de março, está sendo o primeiro a colher. Os agricultores organizaram uma festa ontem para comemorar a data. O outro assentamento é o Ceagro, em Cantagalo, na região centro sul do Estado.
A mesma experiência está sendo feita em outros assentamentos do MST e do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) em 17 Estados brasileiros. Só no Paraná a estimativa de colheita é de 700 toneladas. Além de servir para o consumo das famílias dos produtores, parte do feijão vai ser comercializada gerando lucro para os agricultores.
O assentamento de Arapongas foi selecionado por já ter implantado um sistema de irrigação numa área contínua com solo e climas propícios para o plantio. O cultivo do feijão não é novidade para as 94 famílias que moram no assentamento. Elas também plantam arroz, milho, mandioca, batata e verduras nos 756 hectares da área do MST.
Cada família administra um lote de 6 hectares onde criam ainda porcos e galinhas. ''Comida aqui não falta, tem qualidade e quantidade'', diz José Damasceno, diretor estadual do MST e morador do assentamento. O feijão foi plantado na única área comum do assentamento, que é cultivada por 8 famílias que também cuidam do pivô de irrigação da propriedade, capaz de irrigar 30 alqueires de uma vez.
O clima ajudou e os agricultores comemoram uma produtividade de 40 sacas de feijão por hectare. Dez por cento vão atender o consumo do próprio assentamento. Com o restante as famílias vão pagar, em produto, o financiamento e ainda sobram 70% para ser comercializados para o próprio Fundo Brasil Sem Fome. Só a produção do assentamento de Arapongas é suficiente para alimentar 900 famílias beneficiadas pelo Programa Fome Zero durante um ano.
''Com a saca de feijão custando cerca de 80 reais, estamos pensando em separar pouco mais de 200 sacas para pagar o financiamento. O resto a gente vai classificar, separar e empacotar para vender para o próprio Fundo. O preço vai ficar entre o custo de produção e o pico que o produto atinge no mercado. Assim, fica mais barato para o Fundo e mais rentável para nós'', calcula Damasceno. Animados com os resultados da experiência, os agricultores do assentamento já pensam em ampliar a parceria. ''Podemos fazer a mesma coisa com arroz, milho e mandioca'', adianta Damasceno.


