Com o asfaltamento de um trecho de 650 km entre Corumbá (MS) e Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), obra encerrada há seis meses, os transportadores do Mato Grosso do Sul resolveram testar uma nova rota de escoamento da produção agrícola. Agora, todo trecho até os portos chilenos de Arica e Iquique, cerca de 2,3 mil km, está asfaltado.
Hoje, para chegar à Ásia, a produção brasileira sai de Santos ou Paranaguá, sobe de navio por toda a costa brasileira, e chega ao Pacífico por meio do Canal do Panamá. A proposta da Rota da Integração Latino-Americana (Riila) é carregar os grãos via rodoviária diretamente ao Pacífico. O Sindicato das Empresas de Transportes do Mato Grosso do Sul (Setlog), que organiza a expedição, estima que, por esse caminho, os grãos levam aproximadamente 12 dias a menos na rota marítima até a China.
Por outro lado, o trecho rodoviário no Brasil fica maior. De Campo Grande a Paranaguá, são 1,1 mil km. Já, até Iquique, são 2,3 mil km. Essa diferença seria compensada não somente pela redução da viagem por mar, mas pela eficiência e agilidade dos portos chilenos.
"O sonho de levar a produção brasileira direto para o Pacífico é antigo. Nossa expedição é para mostrar se isso é possível", afirma Cláudio Cavol, presidente do Setlog. Da viagem, patrocinada por empresas como Scania Brasil, Noma (fábrica de implementos rodoviários de Maringá), P.B. Lopes e Volkswagen, participam empresários do transporte de carga e do agronegócio, autoridades brasileiras e chilenas. Até a próxima quinta-feira, num comboio de 30 caminhonetes, eles passam por Corumbá, Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba, La Paz, Arica e Iquique.
Em todas as paradas, estão previstas reuniões com autoridades locais. Cavol conta que a entidade vem conversando com os chilenos e que os portos de Arica e Iquique estariam com ociosidade e interessados em escoar a produção brasileira. O lançamento da expedição, na última quinta-feira, em Campo Grande, contou com a participação do embaixador chileno, Fernando Schmidt.
Para viabilizar a rota, os transportadores precisam vencer vários desafios. O principal é convencer o governo boliviano a desburocratizar e agilizar a entrada e a saída dos caminhões no país. E também que a passagem da produção brasileira pode ser vantajosa economicamente para a Bolívia. "Nossa expedição também tem esse objetivo, de chamar a atenção das autoridades bolivianas e ganharmos seu apoio para viabilizar este projeto", afirma Airton Dall’Agnol, transportador e diretor do Setlog.
A reportagem da FOLHA acompanha toda a expedição.

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