Os custos de produção menores estão fazendo a cotonicultura se concentrar no cerrado. São Paulo e Paraná, outrora tradicionais produtores, tentaram sem sucesso reerguer a atividade na safra 97/98 e agora devem registrar novas quedas na área plantada.
O Mato Grosso, ao contrário, deve consolidar sua posição de maior produtor brasileiro, desbancando de vez Goiás, que na última safra sofreu uma quebra por conta de erros agronômicos e efeitos do fenômeno El Ni¤o. A diferença de custo entre o Paraná e Mato Grosso é emblemática.
O custo de produção do algodão em pluma no Paraná, isento de impostos, fica em torno de R$ 23,50/arroba em anos normais e o preço mínimo de garantia do governo é de R$ 24,50. Isso significa que mesmo quando o governo intervém para garantir esse preço, a remuneração do produtor é reduzida. Já no Mato Grosso, o custo da pluma cai para R$ 21,00.
Colheita mecanizada Boa parte do custo adicional no Paraná está embutido na colheita, feita manualmente, enquanto no Mato Grosso é quase que totalmente mecanizada. O Mato Grosso também leva vantagem de ter um clima mais apropriado à cotonicultura, com chuvas na época da germinação e seca na colheita. O Paraná sofreu com chuvas na colheita este ano.
Por trás do crescimento do algodão no Mato Grosso, no entanto, está a percepção de que a cultura é uma boa opção para o produtor de soja monitorar o risco na comercialização da próxima safra. Com a queda dos preços dos grãos nos mercados internacionais, a comercialização da soja é vista com incerteza pelos produtores.
Para o diretor técnico da Fundação Mato Grosso, Dario Hiromoto, a área com algodão pode até dobrar. Este ano, 110.177 hectares foram plantados, contra um total de 862,27 mil hectares no Brasil. ‘‘Mais 100 mil hectares da soja podem ser transferidos para o algodão na próxima safra’’, afirma Hiromoto.
Projeções preliminares do mercado para a próxima safra apontam uma queda de cerca de 10% para a área do Brasil. O aumento de área é seguido por um maior investimento na cultura no Estado. A própria Fundação Mato Grosso, que detém base genética da ITA-90, cultivar que domina perto de 90% da área total do Estado, está investindo em tecnologia para o desenvolvimento de novas sementes.
O primeiro resultado das pesquisas é a Antares, cultivar que será lançada em 99/2000 com a promessa de reduzir em 50% os gastos com defensivos agrícolas. A comercialização das sementes será feita pela Sementes MT, empresa que será criada pela Fundação para este fim até o fim do ano.
Os investimentos em máquinas e algodoeiras também têm sido intensivos no Estado. Dados da Fundação Mato Grosso, só na última safra, foram gastos R$ 41,2 milhões em colheitadeiras e usinas de beneficiamento. Isso se traduziu em 88 colheitadeiras novas, e na instalação de mais 30 máquinas de beneficiamento - o Estado agora tem 61 máquinas. (R.N.).

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