O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) ajuizou ação civil pública para pedir a interdição da unidade da JBS em Santo Inácio (Região Metropolitana de Maringá) e a indenização de R$ 16,8 milhões, para 66 trabalhadores intoxicados e expostos ao vazamento de amônia, após rompimento de tubulação no último dia 16. Os funcionários pertencem à área de cortes do frigorífico de um abatedouro de frangos da detentora de marcas como Friboi, Seara e Swift.
Em nota, a JBS aponta que a unidade continua normalmente em operação e que a Justiça concedeu cinco dias para que a empresa faça adequações no local, com o objetivo de aprimorar medidas de segurança já existentes. "A JBS informa que os ajustes serão realizados dentro do prazo determinado pela Justiça e a unidade de Santo Inácio seguirá normalmente suas atividades, sem qualquer prejuízo a seus colaboradores, clientes e comunidade."
Segundo o MPT-PR, porém, inspeção feita no último dia 22 apontou que os empregados ainda estão sob os mesmos riscos de vazamento de amônia, pela falta de sistemas de monitoramento das concentrações ambientais do produto químico, de detecção precoce de vazamento acopladas a alarme, de painel de controle de refrigeração, ou mesmo pessoas treinadas para a prevenção e combate a incêndios, entre outras medidas. As exigências pertencem à Norma Regulamentadora do Trabalho em Frigoríficos (NR36).
O procurador do trabalho Heiler Natali, coordenador Nacional do Projeto de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos, também pediu pena de multa de R$ 50 mil por dia de descumprimento, além da indenização por danos morais coletivos e individuais às vítimas. "É inaceitável que a maior empresa de processamento de proteína animal do planeta não mantenha os padrões mais elementares de segurança para geração de frio e vapor", afirma Natali.

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