Embora não existam denúncias recentes do uso de mão-de-obra escrava nas carvoarias do Paraná, o Ministério Público do Trabalho (MPT) flagrou este tipo de crime contra trabalhadores envolvidos com a cultura de pinus, madeira usada para produção de carvão vegetal. Em entrevista à FOLHA, o procurador do MPT, Gláucio de Oliveira, admite ter se surpreendido com tal situação: ''pensávamos que esse tipo de coisa só existia no Norte do País.''
Oliveira informa que somente no ano passado foram resgatados 129 trabalhadores no Paraná, a maioria em florestas de pinus. Número três vezes maior do que no ano anterior, quando 40 pessoas foram vítimas de regime de trabalho escravo no Estado.
Na tentativa de burlar as leis trabalhistas, proprietários de terra terceirizam o plantio e o corte para empreiteiros - os ''gatos'' -, que recrutam a mão-de-obra. Os trabalhadores são levados a alojamentos nas florestas, onde vivem em condições degradantes: sem acesso à água potável, banheiros, equipamentos de proteção individual, higiene e ausência de qualquer garantia trabalhista.
Em vez de mirar nos ''gatos'', o MPT foca suas ações nos donos das terras porque são os verdadeiros beneficiados pela prática pois, com menos encargos trabalhistas, lucram mais. ''Já peguei até caso de criança operando motosserra'', revela o procurador.
Quem concede as licenças e fiscaliza tanto a atividade de produção de pinus quanto as carvoarias é a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), através do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A FOLHA encaminhou uma série de perguntas por e-mail ao órgão, por diversas vezes, mas não obteve resposta. (L.A.)

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