Rio de Janeiro - Os documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Cevada chegam hoje ao Rio. A maior parte será encaminhada à Receita Federal no Estado, que vai abrir processo administrativo fiscal para definir quanto foi supostamente sonegado pela cervejaria Schincariol e o que ela tem a pagar. A Receita admite voltar às unidades da cervejaria para levantar mais informações.
O Ministério Público Federal (MPF) do Rio informou que vai oferecer denúncia, em princípio, por crime de formação de quadrilha (pena de 1 a 3 anos de prisão) e possível conexão com o crime de corrupção ativa (pena de 1 a 8 anos). Segundo o MPF, quando a Receita concluir a apuração de quanto deixou de ser arrecadado, os suspeitos serão denunciados pelo crime de sonegação fiscal.
A operação foi deflagrada na quarta-feira, numa ação conjunta da PF, Receita e o MPF, para combater a sonegação, tendo como alvo principal a cervejaria. As investigações começaram a partir da unidade da Schincariol em Cachoeiro de Macacu (RJ).
Produção normal - As linhas de produção das sete fábricas da Schincariol operaram praticamente em ritmo normal ontem, embora com deficiências na parte administrativa, pois todo seu grupo diretivo está preso. Representantes da empresa informam que não há riscos de faltar produtos nos próximos dias, principalmente da cerveja Nova Schin, a mais vendida da marca.
A empresa criada em 1989 na cidade de Itu, interior de São Paulo, responde hoje por 12,7% do consumo brasileiro de cervejas, mais que a Kaiser, com 8,7%, porém longe da líder AmBev (reúne Brahma e Antarctica), que tem 68,3% do mercado. A parte operacional das fábricas funcionou normalmente, inclusive nas unidades afetadas pela Operação Cevada, em Itu e Cachoeiras de Macacu (RJ), onde atuam os diretores presos pela Polícia Federal.
A empresa não divulga números da produção diária. A capacidade produtiva é de 2,25 bilhões de litros de cerveja por ano e 1 bilhão de litros de refrigerantes, água e sucos.

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