O Ministério Público Estadual iniciou ontem uma operação de fiscalização nas revendas de gás de cozinhas do Paraná com o objetivo de combater a venda ilegal do produto desde o armazenamento até a entrega. Dados do Sindicato dos Revendedores de Gás do Paraná (Sinregás-PR), apontam que existem hoje no Estado 2 mil revendas autorizadas e 8 mil clandestinas. Só em Curitiba e Região Metropolitana são 600 autorizadas e 3 mil clandestinas.
O número excessivo de estabelecimentos clandestinos levou o Ministério Público a realizar, ontem, uma reunião com representantes do setor para discutir o assunto e o perigo que estes comerciantes irregulares representam para a população.
O promotor João Henrique Vilela da Silveira, da Promotoria de Justiça e Defesa do Consumidor de Curitiba, disse que a fiscalização começa na Capital mas ele pretende repassar o assunto para as promotorias de todo o Estado, inclusive de Londrina, para que seja feita a mesma operação.
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) e o Sinregás-PR iniciaram um trabalho há mais de três meses para conscientizar os revendedores e localizar os clandestinos. Segundo o presidente do Sinregás-PR, José Luiz Rocha, os dois sindicatos reuniaram provas como fotos das revendas irregulares para apresentar ao Ministério Público. ''Juntamos provas do que existe de pior na venda clandestina de gás'', disse.
Segundo ele, muitos revendedores não realizam a correta exposição dos botijões, armazenam de forma ilegal e não seguem as normas do Inmetro de distanciamento e empilhamento. Ainda operam sem autorização da ANP, não pagam tributos e encargos trabalhistas. Com isso, conseguem vender o produto cerca de R$ 2 a R$ 3 mais barato que o preço médio, hoje em R$ 32.
Segundo Rocha, o número de revendas clandestinas proliferou a partir de 1997 quando as distribuidoras passaram a nomear terceiros para que realizem a comercialização do produto. Muitos irregulares engarrafam os botijões em fundo de quintal.
Ele destacou que, ao comprar de um revendedor irregular, o consumidor não tem a garantia de estar comprando um botijão com 13 kg e pode adquirir um produto adulterado com água. Rocha alerta que o consumidor deve verificar se o lacre, o botijão e o informativo são da mesma marca. Além disso, deve pedir para pesar o recipiente. A presença de uma balança nestes estabelecimentos é obrigatória. ''Um botijão sem manutenção pode ter vazamento e provocar uma explosão'', disse.

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