MP vai apurar irregularidades no BC
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domingo, 20 de maio de 2001
Da Agência Estado De Brasília 
O Ministério Público pode abrir um novo inquérito para investigar um possível esquema de venda de informação privilegiada pelo ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes durante sua permanência no órgão. As investigações vão tomar como base as denúncias feitas neste final de semana pela revista Veja, que acusa Lopes de fornecer informações ao mercado financeiro.
Segundo Artur Gueiros, procurador do MP do Rio de Janeiro, as denúncias já estavam sendo investigadas pela Polícia Federal e os novos fatos podem ser incorporados ao processo e resultar em um novo inquérito. O Cacciola (Salvatore Cacciola, ex-presidente do Banco Marka) sempre disse que tinha essas fitas, revelou. Gueiros informou que o Ministério Público vai se reunir com o delegado da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoi) de Brasília, responsável pelas investigações do caso Marka.
Se for aberto um novo inquérito será para apurar como se montou o esquema de venda de informações, quais as instituições que foram beneficiadas e se existiam outros funcionários públicos envovidos, além dos já citados na ação principal. Essa ação foi movida para apurar crime de peculato pela ajuda dada pelo Banco Central aos Bancos Marka e FonteCindan após a desvalorização cambial do início de 1999, além de corrupção ativa de Salvatore Cacciola, corrupção passiva de Chico Lopes no caso.
No período da desvalorização do real em janeiro de 1999, Francisco Lopes, então presidente do BC, vendia informações privilegiadas sobre taxas de interesse e câmbio, denuncia a revista. E lembra que Lopes foi demitido do cargo duas semanas depois da desvalorização que, em 13 de janeiro de 1999, enterrou a política de manter o real em paridade com o dólar. Segundo Veja, ele dava as informações a dois sócios que as transmitiam aos clientes da rede através de telefones celulares, em troca de pagamento.
Esse pagamento saía de uma conta do Bank of New York, que pertencia a uma empresa do Banco Pactual, a Pactual Overseas Bank and Trust Limited, com sede em um paraíso fiscal das Bahamas. A revista destaca que o dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, que fugiu para a Itália, descobriu a rede por causa de uma escuta telefônica ilegal, aproveitando-se das mesmas informações, que gravou e utilizou para chantagear o BC, obrigando-o a vender dólares para seu banco a um preço inferior ao do câmbio. Isso garantiu a Cacciola o equivalente a 1 bilhão de reais. (Com France Presse)


