Toledo - O promotor do Meio Ambiente de Toledo, Fuad Chafic Abi Faraj, conseguiu suspender duas palestras que seriam realizadas hoje no seminário ‘‘Transgênicos: um nova realidade agrícola’’, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Toledo. O evento será realizada no Teatro Municipal, sem as duas palestras.
A decisão do Ministério Público foi tomada após orientação expedida pelo promotor Saint Clair Honorato dos Santos, do Centro de Apoio das Promotorias do Meio Ambiente, de Curitiba. Ele entende que o evento incorreria em ‘‘apologia ao crime’’, ou seja, as palestras estariam incentivando agricultores a cultivar transgênicos, prática proibida no Brasil.
O engenheiro agrônomo Roberto Siqueira Filho garante que esta não era a finalidade do evento. Ele acredita que tenha ocorrido uma interpretação errada dos objetivos do seminário. Segundo ele, os agricultores precisam ter conhecimento sobre o que está acontecendo no País, no que diz respeito à tecnologia. ‘‘Nosso objetivo não era de fazer apologia ao uso do material’’, argumenta.
O promotor Faraj explicou que chegou a um consenso com os organizadores, cancelando a participação de dois palestrantes, por entender que ‘‘representam empresas interessadas na implantação dos transgênicos no País’’. As palestras que foram retiradas da programação tinham como temas ‘‘Situação e tendências da biotecnologia no mundo’’ e ‘‘A biotecnologia como ferramenta da nova agricultura’’. Seriam ministradas pelos agrônomos João Sereno Lamel, da Dupont, e José Neuto Paini, da Monsanto, respectivamente.
De acordo com o promotor, a recomendação é para que as palestras proferidas no evento se limitem a dados técnicos para esclarecer efetivamente o produtor sobre o que é o transgênico, quais os riscos ao meio ambiente, à saúde da população, entre outros aspectos. ‘‘A comercialização desses produtos é proibida. Além de proibida, evidentemente, constitui crime’’, diz.
O agrônomo Roberto Siqueira Filho observou que dentro da própria comissão organizadora do evento há pessoas favoráveis e outras contrárias à tecnologia. ‘‘Por termos essas diferenças de opinião, resolvemos fazer o evento. Percebemos que existia também uma desinformação por parte dos técnicos, que muitas coisas não chegavam ao conhecimento de todos’’, disse.

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