MP suspende palestras sobre transgênicos
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Toledo - O promotor do Meio Ambiente de Toledo, Fuad Chafic Abi Faraj, conseguiu suspender duas palestras que seriam realizadas hoje no seminário Transgênicos: um nova realidade agrícola, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos de Toledo. O evento será realizada no Teatro Municipal, sem as duas palestras.
A decisão do Ministério Público foi tomada após orientação expedida pelo promotor Saint Clair Honorato dos Santos, do Centro de Apoio das Promotorias do Meio Ambiente, de Curitiba. Ele entende que o evento incorreria em apologia ao crime, ou seja, as palestras estariam incentivando agricultores a cultivar transgênicos, prática proibida no Brasil.
O engenheiro agrônomo Roberto Siqueira Filho garante que esta não era a finalidade do evento. Ele acredita que tenha ocorrido uma interpretação errada dos objetivos do seminário. Segundo ele, os agricultores precisam ter conhecimento sobre o que está acontecendo no País, no que diz respeito à tecnologia. Nosso objetivo não era de fazer apologia ao uso do material, argumenta.
O promotor Faraj explicou que chegou a um consenso com os organizadores, cancelando a participação de dois palestrantes, por entender que representam empresas interessadas na implantação dos transgênicos no País. As palestras que foram retiradas da programação tinham como temas Situação e tendências da biotecnologia no mundo e A biotecnologia como ferramenta da nova agricultura. Seriam ministradas pelos agrônomos João Sereno Lamel, da Dupont, e José Neuto Paini, da Monsanto, respectivamente.
De acordo com o promotor, a recomendação é para que as palestras proferidas no evento se limitem a dados técnicos para esclarecer efetivamente o produtor sobre o que é o transgênico, quais os riscos ao meio ambiente, à saúde da população, entre outros aspectos. A comercialização desses produtos é proibida. Além de proibida, evidentemente, constitui crime, diz.
O agrônomo Roberto Siqueira Filho observou que dentro da própria comissão organizadora do evento há pessoas favoráveis e outras contrárias à tecnologia. Por termos essas diferenças de opinião, resolvemos fazer o evento. Percebemos que existia também uma desinformação por parte dos técnicos, que muitas coisas não chegavam ao conhecimento de todos, disse.


