Luiza Damé
Agência Folha
O relator da medida provisória de renegociação das dívidas agrícolas, senador José Fogaça (PMDB-RS), disse ontem que vai modificar a proposta original do governo, mas negociará as alterações com a equipe econômica. O senador defende subsídios para a agricultura e critérios de renegociação das dívidas agrícolas que beneficiem os pequenos e os grandes produtores. Para ele, o crédito ao pequeno agricultor tem ‘‘cunho social’’ e ao grande significa investimento na melhoria da produção.
‘‘Não é para engordar a mão de quem usa mal o dinheiro público, mas para
estimular a produção’’, disse. Segundo Fogaça, as medidas de renegociação das dívidas devem ser condicionadas, por exemplo, ao aumento da produção e à permanência na atividade agrícola.
Fogaça afirmou que na próxima semana vai procurar os ministros Pedro Malan (Fazenda), Pratini de Moraes (Agricultura) e Pedro Parente (Casa Civil)
para negociar pontos da MP que poderão ser alterados. ‘‘Pretendo avançar a partir da luz verde da equipe econômica. O meu objetivo é a
convergência’’, disse.
Para o senador, as medidas adotadas pelo governo não são suficientes para solucionar o problema de endividamento agrícola. O governo concedeu
desconto de 30% nas dívidas até R$ 10 mil e de 15% nos débitos até R$ 200 mil sobre as parcelas pagas em dia.
‘‘Se fossem suficientes, (os ruralistas) não tentariam aprovar o projeto. Esse projeto foi mais uma estratégia de luta. Uma espécie de ‘‘olhem para nós’’’, afirmou.
Fogaça se referiu ao projeto da bancada ruralista que perdoava as dívidas agrícolas em até 50%, derrotado ontem na Câmara. Os ruralistas querem
incluir todo o projeto na medida provisória, mas ele disse que não vai
acatar as emendas.
‘‘O projeto é um exagero: dá desconto de 40%, exclui o Plano Collor e
concede carência de quatro anos para pagamento das dívidas’’, disse.

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