MP propõe que trabalhadores assumam fábrica
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segunda-feira, 19 de abril de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Trabalho entrou ontem com ação civil pública na Justiça do Trabalho propondo que os trabalhadores da multinacional italiana Diamantina Fossanese S.A., a maior no setor de botões da América Latina, com sede na Cidade Industrial de Curitiba, assumam o controle da fábrica.
Há 13 dias, 168 funcionários ocuparam as instalações da fábrica. Eles queriam uma solução para o pagamento de dívidas da empresa no valor de R$ 33 milhões, incluindo atrasos de pagamento aos operários.
Na semana passada a promotora do Trabalho, Margaret Mattos, que entrou com a ação propondo uma espécie de autogestão da empresa, esteve na fábrica. Os funcionários apostavam nos resultados de uma intermediação da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social junto ao diretor da fábrica Felipe Casseb, e a proprietária Lídia Olivero, que encontra-se na Itália, mas nada concreto havia sido formalizado até ontem.
De acordo com a comissão de gestão dos trabalhadores, a fábrica estava paralisada desde o último dia 7 quando foi ocupada. Mas no dia 14 os empregados retornaram a produção de botões, embora ainda de forma parcial. Os empregados acusam os administradores da empresa de má-gestão e querem obter o controle da fábrica, que seria gerida por meio de uma cooperativa dos funcionários.
O comitê afirma que de um total de 185 empregados, 167 apóiam a proposta. Eles reclamam que não receberam parte do salário de dezembro, o salário de março e o 13º salário. Eles também acusam a empresa de ''apropriação indébita'', uma vez que ela estaria descontando de seus salários o valor referente ao INSS e às mensalidades do sindicato sem repassar os valores à Previdência e ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário.
No dia 13, um oficial de Justiça foi até a empresa com uma liminar de reintegração de posse, mas os funcionários ignoraram a decisão judicial e permaneceram na indústria. De acordo com Casseb, a orientação da proprietária é no sentido de aguardar e seguir as decisões da Justiça. Ele concorda com os valores divulgados pelos trabalhadores, mas afirma que a fábrica não tem condições econômicas para resolver o impasse.
Isso porque a Diamantina teria sido vítima de um golpe de seu ex-advogado, que entrou como credor de um empréstimo de R$ 1,6 milhão que a empresa estava negociando, e acabou passando todo o patrimônio da empresa incluindo o terreno de 35 mil metros quadrados, o prédio e maquinário para uma outra empresa, usada como''laranja''. A proprietária já entrou com processo na Justiça para reaver seus bens. No início deste ano a indústria também teria sido vítima de uma factoring, a quem devia.


