MP pede bloqueio de bens da Gallus
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de março de 1998
Agência Estado 
O Ministério Público Federal pediu ontem o bloqueio dos bens da empresa Gallus Agropecuária, que atua no setor de investimentos em parceria no setor agropecuário. A ação cautelar movida pelo procurador da República André de Carvalho Ramos pede também o bloqueio dos bens pessoais dos dois sócios da empresa, Gerson Camargo dos Santos e Marli da Silva Salgado. O procurador acredita que a liminar deve ser concedida nos próximos dias.
A ação cautelar serve para impedir a transferência dos bens da empresa antes do ingresso da ação civil pública. O objetivo das duas ações, segundo o procurador, é o de obrigar a empresa a prestar contas das suas operações e comprovar em Juízo que tem idoneidade patrimonial e financeira para ressarcir todos os investidores.
A Gallus não tem escrituração contábil digna, acusa o procurador Ramos. Eles publicaram um balanço em outubro, com parecer do auditor independente Washington Braga, mas o próprio auditor negou responsabilidade sobre o parecer, disse. Segundo ele, existe indício claro de falsidade no balanço.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já autuou a Gallus, depois de constatar que a empresa tem mais de 500 títulos protestados. Vários investidores encaminharam queixa à CVM e à Delegacia do Consumidor contra a empresa nos últimos meses.
A empresa captava dinheiro de investidores prometendo rendimento atrativo. Mas os investidores enfrentam dificuldades na hora de receber a devolução do dinheiro com juros. O promotor Ramos vem investigando as empresas de parceria agropecuária e já constatou várias irregularidades. A Medida Provisória 1637, de 8 de janeiro deste ano, deixa a fiscalização do setor a cargo da CVM e estabelece um prazo de 90 dias para as empresas se enquadrarem nas novas regras.
O advogado da Gallus, José Leitão de Almeida, disse que a empresa está inadimplente porque tem a receber R$ 3,5 milhões de cheques devolvidos de supermercados que são seus clientes e deixaram de pagar carne e leite que a Gallus lhes vendeu nos meses de dezembro e janeiro. Não posso revelar o nome dos supermercados por questões éticas, afirma Almeida.
O advogado disse que Gallus já está providenciando o pagamento de R$ 500 mil de contratos em atraso de clientes que entraram com queixa no Procon contra a empresa. Vamos pagar todos, garantiu. Se não tivéssemos interesse em fazer isso, tínhamos pedido concordata e demoraríamos dois anos para quitar a dívida.
Sobre a decisão da CVM - que na quinta-feira determinou à Gallus que suspendesse a venda de seus contratos -, o advogado disse que seria melhor a CVM apontar, de forma mais clara, quais são essas irregularidades.


