Curitiba O Ministério Público (MP) do Paraná já tomou depoimento do ex-secretário da Fazenda e ex-presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Ingo Hubert, sobre a aquisição irregular de créditos envolvendo Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner (PFL). O teor do depoimento é mantido sob sigilo pelo grupo que comanda as investigações.
Hubert é acusado pelo atual governo de ter dado baixa no pagamento de uma dívida de R$ 40 milhões que a Copel fez junto ao governo estadual, valendo-se de créditos tributários da Olvepar, que faliu em agosto do ano passado. Ele é acusado ainda de se valer da posição de secretário e presidente da estatal, cargos que acumulava, para maquiar transações de caráter ilícito, de acordo com a atual administração.
O depoimento de Hubert não foi o primeiro tomado pelos promotores. O advogado do síndico da massa falida da Olvepar, José Célio Garcia, também já foi ouvido. Governo e Ministério Público ainda não têm um levantamento oficial do rombo que teria sido deixado na Copel. O governador Roberto Requião (PMDB), quando fez a denúncia há cerca de 15 dias, com base em informações fornecidas pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), disse acreditar que o desvio pode ter chegado a R$ 80 milhões.
O caso Olvepar foi um dos principais tópicos do discurso do governador na sessão solene de abertura da Assembléia Legislativa, na última segunda-feira. O governador responsabilizou Hubert pelo que classificou de ''a mais ousada pilhagem no final do mandato do governo passado''. Sem citar nomes, o governador tem sugerido ainda que ''figuras tenebrosas do submundo da lavagem de dinheiro estão envolvidas nesta falcatrua''. O que abre brechas para que políticos especulem o caso.
Uma das versões que corre nos bastidores é que o suposto desvio de dinheiro dos cofres públicos pode ter relação com o processo eleitoral do ano passado.

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