A Promotoria de Defesa do Consumidor, de Curitiba, irá instaurar inquérito civil contra as distribuidoras de gás. A medida atende denúncia formulada pelo Sindicato dos Revendedores de Gás GLP do Paraná (Sinregás-PR) de suspeita de alinhamento de preços. O varejo alega que apenas cinco grupos detêm 93% do mercado nacional do produto e que a diferença de custo entre eles seria de centavos. Nos últimos quatro meses, os distribuidores teriam reajustado o custo de botijão de 13 quilos quatro vezes, elevando em R$ 4 o valor unitário. Desta forma, o preço médio do botijão ao consumidor tem ficado entre R$ 36 e R$ 37 no Paraná.
O Ministério Público (MP) abrirá duas frentes de investigação. Segundo o promotor Maximiliano Ribeiro Deliberador será apurado o preço do gás e a uniformização dos valores; e a segurança dos botijões, uma vez que estariam circulando no mercado cilindros com prazo de validade vencido. Esta fiscalização é feita pelo Corpo de Bombeiros. ''A portaria (para instauração do inquérito) já está pronta. Esperamos apenas a documentação que será enviada pelo Sinregás para expedirmos os ofícios de investigação'', informa. Não há prazo para que a investigação proposta seja concluída.
No entanto, segundo o promotor, o processo será ''célere e eficiente''. Inicialmente as investigações ficarão concentradas em Curitiba, podendo ser estendidas ao interior do Estado conforme os padrões regionais. ''Vai depender do caminho das investigações'', diz. De acordo com o presidente do Sinregás, José Luiz Rocha, a única diferença no preço do gás é nos centavos. ''As revendas estão totalmente desestimuladas, o que levou o setor a formalizar a denúncia'', observa. Ele ressalta que o consumidor não suporta mais um aumento de preços. ''A revenda não está conseguindo repassar e tem que absorver mas se isso ocorre vamos quebrar. Não há milagre'', salienta.
Nos últimos dois anos o consumo de GLP caiu 5% no País. O fraco desempenho seria resultado de uma soma de fatores, como a mudança de hábitos dos consumidores - como a utilização de fornos micro-ondas, troca de refeições por lanches e alimentação em refeitórios de empresas - e a concorrência com o gás natural. No Paraná são mais de 3,5 mil revendedores. ''Temos registrado aumento da inadimplência de revendedores com os distribuidores'', diz. A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Sindicato Nacional dos Distribuidores de Gás GLP, que tem sede no Rio de Janeiro, mas o presidente do órgão Sérgio Bandeira de Mello estava em viagem e não foi localizado.

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