O Ministério Público Estadual começou a analisar ontem o pedido do Sindicato dos Bancários para que seja verificada a operação que colocou as ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) em caução no Banestado. O processo está nas mãos do promotor de Defesa do Patrimônio Público, Mateus Bertoncini, que ainda não decidiu se aceitará ou não investigar o caso. O Sindicato dos Bancários quer evitar que, com a privatização do Banestado, o banco comprador leve R$ 415 milhões em ações da Copel, caso o governo do Estado não consiga resgatá-las até o dia 31 de dezembro.
Esses papéis, que representariam algo em torno de 25% do capital do governo do Estado na Copel, estão no Banestado desde 1997. Eles foram depositados como garantia aos precatórios (que passaram a se chamar títulos podres pela falta de liquidez) dos governos de Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina, Guarulhos e Osasco. Pernambuco conseguiu fazer o resgate dos títulos que totalizavam R$ 146 milhões em março deste ano. Restam ainda os demais Estados e municípios.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, afirmou ontem, em nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu, que os resgates dos títulos estão confirmados. ‘‘Com autorização do Senado para a troca dos títulos de Guarulhos, Osasco e Alagoas por títulos federais, ocorrida em maio último, a liberação da caução será efetivada conforme o prazo contratual acordado (31 de dezembro), não restando qualquer perigo de o Estado perder as ações da Copel em favor do comprador do Banestado’’, disse Gionédis.
Assim como Gionédis, o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, afirmou anteontem à Folha que o novo banco não ficará com as ações. Mas para Campêlo, o governo terá de encontrar recursos para resgatar as ações da Copel, porque nem todos os Estados e municípios irão recomprar os títulos. ‘‘Teremos de achar dinheiro’’, disse o secretário, ao garantir que a equipe econômica do governo do Estado tem trabalhado nas últimas semanas para resolver o problema.

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