Gerson da Luz Souza
De Cascavel
Especial para a Folha
O Promotor de Justiça Carlos Alberto Hohmann Choinski, da Promotoria de Defesa do Consumidor em Cascavel, está investigando a suspeita de formação de cartel na venda de combustíveis. A maioria dos postos de abastecimento da cidade reajustou os preços ontem – a gasolina foi vendida entre R$ 1,24 e R$ 1,26 o litro, e o álcool em torno de R$ 0,70 o litro. Na noite de terça-feira, revendedores teriam feito uma reunião para combinar o preço da venda. Até então a gasolina era vendida por até R$ 1,08 e o álcool na faixa de R$ 0,60.
Há quinze dias, os preços praticados pelos postos eram bem superiores. A gasolina era vendida por cerca de R$ 1,40 e o álcool na casa dos R$ 0,80, valores que baixaram após a inauguração de um posto ‘‘bandeira branca’’ (sem distribuidora específica). Os preços praticados pelo novo estabelecimento causaram o acirramento da concorrência. ‘‘As distribuidoras deram descontos para que os demais postos não perdessem movimento’’, relata Osley Vascelai, dirigente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Cascavel e Região.
O proprietário do posto ‘‘bandeira branca’’, Hélio Laurindo, diz que os demais estabelecimentos tinham margem de até R$ 0,30 de lucro por litro, enquanto ele vendia com margem R$ 0,15, e por isso seu preço era menor. Após a reunião dos revendedores, ele próprio aumentou o preço, embora afirme que teria condições de mantê-lo. ‘‘Haveria uma quebradeira dos demais postos, por isso concordei em ajustar meu preço no patamar combinado’’, admite Hélio Laurindo. A existência de cartel é descartada tanto por Osley como por Laurindo. ‘‘Foi um ajuste natural de mercado’’, dizem.
Apesar do argumento dos empresários, o fato é considerado pelo promotor como ‘‘consistente’’ para indicar a existência de cartel, embora, segundo ele, ainda seja necessário reunir outros elementos que ajudem a formar a prova material do crime.