MP faz busca e apreensão de amostras de leite na Confepar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de abril de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A Cooperativa Central Agro-Industrial (Confepar) responsável pelos produtos das marcas Polly e Cativa mais uma vez está na mira do Ministério Público (MP), desta vez do Paraná. Por meio da Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Consumidor e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, o MP realizou uma operação surpresa de busca e apreensão de amostras de leite cru na cooperativa.
O trabalho foi expedido pelo MP Federal, em Guaíra, após uma denúncia anônima de que a Confepar estava recebendo leite adulterado, contendo água e outros produtos impróprios para o consumo, como ureia - que contém formol - uma substância cancerígena. As amostras colhidas foram encaminhadas ao Laboratório Central do Estado (Lacen), que fará a análise. O resultado está previsto para sair em 15 dias.
Participaram do cumprimento do mandado essa semana os promotores Miguel Sogaiar e Claudio Esteves, o delegado de polícia Ernandes Cezar Alves, que atua no Gaeco de Londrina, além de servidores do Lacen, da Vigilância Sanitária do município e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "A denúncia foi feita recentemente ao MP Federal e dizia que a Confepar estava recebendo leite adulterado de outras regiões. Fizemos o pedido de busca e apreensão, que foi acatado pela 5ª Vara Criminal de Londrina. A cooperativa ficou com uma contraprova e agora vamos aguardar os resultados", explicou o promotor de defesa do consumidor, Miguel Sogaiar.
A denúncia anônima que chegou ao MP Federal não está ligada à Operação Leite Compensado (leia o box), deflagrada no ano passado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, na qual a Confepar também estava envolvida, entre outras empresas do segmento. "No Rio Grande do Sul houve apreensões em flagrante. Aqui nós não tivemos apreensões ainda. Nós temos apenas uma denúncia acerca do recebimento desses produtos impróprios para consumo, no entanto ainda não se pode afirmar que de fato a Confepar recebeu, e por isso fizemos a coleta. Ainda não temos essa prova", explica Sogaiar.
Ainda segundo o promotor, caso os resultados do Lacen sejam positivos para adulteração, a promotoria pode caracterizar o ato como "crime contra as relações de consumo, ilícito, e tomar todas as providências cabíveis a nível criminal".
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a Confepar e, como aconteceu quando surgiram as acusações do ano passado, a cooperativa preferiu não se pronunciar. De acordo com a secretaria executiva da diretoria, a empresa "deve se manifestar após os resultados das análises serem divulgados".


