Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual tenta retirar as estações-base de antenas celulares, que emitem ondas eletromagnéticas, de áreas residenciais. Uma das ações, movida pela Promotoria do Meio Ambiente, foi ajuizada na 3 Vara da Fazenda Pública e hoje está em grau de recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). A ação está pautada na necessidade de que as antenas sejam instaladas em áreas não residenciais, seguindo orientação da Instrução Normativa 004/2006 da Diretoria de Controle de Recursos Ambientais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
O promotor Sérgio Cordoni, que assina a ação civil, disse que as pesquisas científicas sobre os reflexos ambientais e à saúde ainda não são conclusivas. Portanto, deve-se aplicar os parâmetros de precaução. ''Existem indícios de que estas bases podem causar danos à saúde, principalmente câncer. O que pedimos na ação é que as estações sejam retiradas das zonas residenciais'', disse Cordoni. A própria instrução do IAP prevê no item 5 d.3 que as estações precisam ser construídas em raio de 150 metros das ocupações vizinhas a residências, creches, escolas, hospitais, centros de saúde, clínicas, terminais viários, shoppings centers e estabelecimentos comerciais.
Mas não é isso o que acontece na prática. As antenas estão instaladas dentro de terrenos residenciais. O juiz aposentado Wilson Thomaz, 75 anos, dorme praticamente embaixo de uma estação base de uma operadora de celular. Ele reclama de cansaço físico e depressão - itens que teriam aumentado há cinco anos, após a instalação da torre. ''Todo mundo por aqui reclama. É um absurdo. Aqui é rota de avião e dá um problema, ficamos sem energia elétrica. Até a estrutura da torre está abandonada e tem juntado aranha e bicho. Acho que era necessária uma campanha para tirar as torres daqui'', reclamou Thomaz.
O aposentado Percy Brutcowski, 76 anos, teve que parar de trabalhar após a instalação da torre atrás de sua casa. Ele fazia recuperação de radiadores, limpando alumínio. Teria percebido que estava cada vez mais tonto e abandonou a atividade extra. ''Teve um dia que eu senti tanta tontura que caí ao tentar atravessar a rua. Eu parecia bêbado. Optei por deixar tudo e viver só da minha aposentadoria. É difícil'', comentou. O bairro que ele mora é considerado um dos mais nobres de Curitiba, mas o imóvel teria se desvalorizado por conta da torre. ''Eu já tentei vender, mas ninguém quer vir morar aqui'', contou.
O comerciante Ivo Maciel, 45 anos, pretende vender a casa e apenas ficar com o chaveiro que possui na região. Ele tem medo dos efeitos da erradiação da torre. ''Já se mudaram uns três da vizinha. Todo mundo quer vender as casas que têm por aqui com medo dos efeitos da torre. Eu fico horas olhando para torre e já observei que nem passarinho pára nela. Se passarinho não pára, é porque deve fazer muito mal'', observou.

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