Para o conselheiro da Folha de Londrina, José Eduardo de Andrade Vieira, ex-ministro da Agricultura, a ''MP do Bem 2'' irá contribuir para gerar uma maior concentração de renda no País. ''Leis que criam privilégios tributários são perversas. Há maneiras mais sadias de promover estímulos à exportação sem que isso concentre mais a renda que, no Brasil, já ultrapassou o limite da decência e da ética'', salienta.
Na sua avaliação, a medida não irá gerar mais empregos nem, tampouco, melhorar as condições dos trabalhadores. Segundo José Eduardo, se fosse adotada a política do câmbio livre, os empresários teriam mais liquidez, uma vez que só trocariam suas divisas quando houvesse necessidade e, assim, teriam condições de melhorar as condições de trabalho de seus funcionários e de investir em melhorias da sua estrutura.
''Hoje os empresários são obrigados a vender todas as moedas estrangeiras que recebem para o Banco Central, que atua fortemente no mercado todos os dias'', comenta Andrade Vieira. ''Não sou contra essa MP, mas contrário ao tamanho do benefício aos exportadores, que foi exagerado'', avalia. Para ele, segurar o câmbio é uma maneira artificial de controlar a economia. ''A MP beneficia apenas as elites do País e, por isso, acredito que os sindicatos, a CUT e o Dieese deveriam se manifestar contrários, mas ninguém fala nada'', observa. (F.M.)

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