Proprietários de postos de combustíveis de Londrina rejeitaram, ontem, a proposta do Ministério Público (MP) de fixação na margem de lucro. O promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor Miguel Sogaiar sugeriu o limite de 11% na venda da gasolina e 20% para o álcool. Segundo ele, esses índices tomaram como base o relatório do Centro de Apoio Operacional às Promotorias, que avaliou a coleta de informações sobre preços médios da Agência Nacional de Petróleo (ANP), entre janeiro e setembro deste ano. A iniciativa partiu das reclamações da alta no preço do álcool, autorizada em setembro, e criticada, principalmente, pelos taxistas.
Nos primeiros nove meses do ano, o preço da gasolina nas distribuidoras variou 10,85% e do álcool 33,33%. Neste período, a alteração para o consumidor foi de 13,87% no caso da gasolina e 35,09% no álcool. ''O que mais nos impressionou é que entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro, os preços mínimos dos combustíveis em Londrina ficaram acima dos de 23 cidades de médio e grande portes do Paraná'', disse o promotor. Em Curitiba e Maringá, por exemplo, o preço mínimo da gasolina era R$ 2,25/litro e, em Londrina, R$ 2,45/litro. Com o álcool, a situação não foi diferente. Em Curitiba e Maringá, os preços mais baixos eram R$ 1,24/litro e R$ 1,25/litro, respectivamente. Em Londrina, o menor preço encontrado foi de R$ 1,34/litro.
De acordo com Sogaiar, a margem média de lucro da gasolina em Londrina, entre janeiro e setembro, foi de 12,57%, com pico de 15,46%. Com o álcool, o lucro médio no período foi de 22,84% e pico de 28,64%. No Estado, o lucro médio da gasolina, entre os dias 9 e 15 de setembro, foi de 13,32% e do álcool, 20,41%. Em Londrina, a mesma pesquisa apontou 12,69% e 23,80%, respectivamente. ''Queremos um compromisso de ajustamento que não prejudique os empresários nem a população. Não é tabelamento de preço nem cerceamento da liberdade comercial'', resumiu Sogaiar.
O presidente do Sindicombustíveis Roberto Fregonese justificou alegando que 62% do valor da gasolina paga pelo consumidor é dirigido aos cofres públicos na forma de impostos. No caso do álcool, o índice é de 38,41%. ''Um terço do ICMS arrecadado pelos Estados e governo federal vem dos combustíveis. Por isso, precisamos mobilizar a sociedade para reduzir essas alíquotas. Caso contrário, continuaremos nesse impasse'', argumentou o representante dos empresários no Paraná.
No encontro que contou também com a presença do vice-presidente da Acil Rubens Augusto, do coordenador do Procon Gerson da Silva e dos vereadores Jamil Janene e Gláudio de Lima, da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor na Câmara vários proprietários de postos justificaram suas tabelas de preço, desaprovaram a comparação com a realidade de outros municípios e culparam a existência de envazadoras clandestinas de álcool pela impossibilidade de acordo. ''Vamos investigar essa situação também'', garantiu o promotor.
Para provar seus argumentos, os empresários presentes à audiência sugeriram abrir sua contabilidade a auditores isentos. Sogaiar, por sua vez, irá monitorar o mercado local de combustíveis nas próximas duas semanas.

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