A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina e a Companhia Paranaense de Gás (Compagás), empresa responsável pela distribuição de gás natural no Paraná, devem chegar a um acordo esta semana para a vinda do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol). O acordo é necessário para a liberação da licença prévia ambiental a ser emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
De acordo com a promotora Solange Vicentin, já estão praticamente definidas as propostas que o MP está sugerindo à Compagás. A empresa terá que cumprir algumas exigências ambientais e de segurança para obter a licença prévia. Os estudos de viabilidade técnica para a extensão da rede de gás natural aos municípios do trecho Londrina-Maringá começaram há cerca de cinco anos. Na época foi solicitada a liberação da licença prévia e, desde então, o assunto vinha sendo discutido com o Ministério Público, que entrou com uma ação questionando o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) feitos pela Compagás. O IAP também foi citado na ação e não pode liberar a licença antes das exigências serem cumpridas.
Há menos de 20 dias, uma reunião entre os representantes do Ministério Público, IAP, Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e Compagás discutiu a possibilidade da suspensão da ação, porém, a promotora informou que isso só é possível com o cumprimento das exigências ambientais e de segurança por parte da Compagás.''Acredito que dentro de um semana seja assinado o acordo com a Compagás'', afirmou Solange, sem querer revelar quais são as exigências. ''Por enquanto está no rascunho, mas assim que estiverem prontas poderemos divulgar'', complementou.
O chefe do Iap/Londrina, Ney Paulo Pereira, informou que a partir do momento em que o acordo com o Ministério Público seja firmado, a licença ambiental prévia poderá ser liberada. ''Após o acordo, o IAP vai emitir a licença prévia e, posteriormente as licenças de instalação e de operação'', explicou Pereira, para quem a demora na instalação da rede se deve a problemas jurídicos e não políticos como sugeriu o diretor presidente da Compagás, Rubico Camargo (leia mais nesta página).
A intenção da Compagás é iniciar a distribuição do gás natural para a região norte do Paraná (eixo Londrina-Maringá) até o final de 2006. Ao todo, deverão ser atendidos 11 municípios num raio de 100 km. Segundo Camargo, o gás natural canalizado para a região Norte atenderá primeiro a área industrial, mas em seguida também poderá ser distribuído para as residências e o comércio. Bastante usado na indústria e no transporte, o gás natural pode reduzir a matriz enérgica em até 35%, provocando uma grande economia a esses segmentos.
Um das opções para abastecer Londrina é um ramal do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) vindo de Penápolis (SP) e passando pelo Norte do Paraná. Até aqui a canalização deverá totalizar três mil quilômetros. Outra opção em estudo pela Compagás é disponibilizar o gás natural liquefeito (GNL), mas essa opção depende da finalização de uma planta de liquefação do gás natural que está sendo construída em Paulínia (SP). ''Queremos viabilizar esta opção no primeiro semestre de 2006'', informou o diretor presidente da Compagás, Rubico Camargo.

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