MP do Bem divide empresários
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A edição da ''MP do Bem'' dividiu uma parte do empresariado no Paraná. O empresário Zulfiro Bósio, presidente da Associação Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar), aplaudiu a medida. Mas os representantes das indústrias, comércio e construção civil acharam a medida provisória tímida e insuficiente para atender as necessidades de gerar renda e emprego.
Para Bósio, que representa as empresas exportadoras do ramo eletroeletrônico e de serviços, as indústrias ganham competitividade com a redução do PIS e Cofins e terão condições de reduzir entre 7% e 8% no valor dos produtos exportados, que corresponde à isenção que está sendo concedida. O empresário salientou que essa redução vai depender da conscientização das empresas em repassar a isenção dos impostos.
Bósio acredita que a medida vai alavancar mais as exportações, apesar do dólar barato. ''A MP vai fazer a diferença na exportação de tecnologia e serviços'', ponderou. O empresário defende, entretanto, desoneração do setor de infra-estrutura para exportação.
Mas os empresários vinculados às demais indústrias, comércio e construção civil consideraram a medida provisória acanhada e enfatizaram a necessidade de reformas trabalhista e tributária para provocar reflexos na economia.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, apenas um número reduzido de empresas que já fazem pesquisa e desenvolvimento tecnológico será beneficiado, em prejuízo de um grande universo de micro e pequenas empresas. O empresário defendeu o investimento em educação, inovação e em adoção de novas tecnologias para se redesenhar rapidamente a economia da nação.
O presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Slaviero, defendeu uma reforma maior e pregou o fim da burocracia e redução de impostos para gerar mais empregos. O empresário admitiu ''aspectos positivos, com bondades pontuais para o setor de exportação que representa 18% do Produto Interno Brasileiro'', mas ressaltou que a MP não atende as necessidades dos 82% do PIB, que são as empresas voltadas ao mercado interno.
O presidente da ACP lembrou que os tributos, embutidos no preço final pago pelo consumidor, são ''assustadores''. Citou como exemplo, a carga tributária sobre a energia elétrica, que chega a 92% sobre o produto. ''Não há quem aguente. Nem o consumidor e muito menos o empresário'', afirmou.
O presidente do Sinduscon-PR, Julio Araújo Filho, também manifestou frustração. Destacou que a MP vai refletir um pouco sobre o setor imobiliário, devendo estimular mais as transações imobiliárias, mas que não terá nenhum reflexo sobre a construção civil, onde os empregos são gerados. Segundo ele, o a construção de uma casa popular é tributada em 48%. O empresário disse que viu a MP com desconfiança e esperava medidas mais corajosas.


