Arquivo FolhaModernizarColheita manual chega a representar 30% do custo de produção do algodão, enquanto a mecânica representa 15% A Medida Provisória 1.569, do governo federal, que restringe a importação de produtos, obrigando o pagamento à vista, tende a favorecer também o produtor de algodão, que foi um dos mais prejudicados com a abertura da economia. Um dos reflexos positivos deverá ser o aumento da área plantada na próxima safra, já que as vantagens oferecidas ao importador, que era prazo de pagamento e juros reduzidos, serão eliminadas.
Mas os benefícios dessa medida só serão consolidados se o produtor aproveitar a oportunidade e fizer investimentos em colheita mecanizada, para aumentar a produtividade. Isso porque, a colheita manual consome 30% do custo de produção, enquanto a mecanizada absorve 15%, ampliando a margem de lucro para o produtor.
Desde que as empresas nacionais começaram a importar o algodão, o produtor paranaense, que ainda mantém a colheita manual foi o que mais sentiu o impacto da abertura comercial. Segundo o engenheiro agrônomo Flávio Turra, técnico da área de econômica da Ocepar, o Estado perdeu a condição de principal produtor, com uma média de produção em torno de 700 mil toneladas anuais, para a terceira colocação, atrás de Goiás e São Paulo, estados que já estão investindo na mecanização da colheita.
Atualmente o produtor está atravessando um bom período de comercialização com preços atraentes, o que poderá motivar o produtor a investir na aquisição de equipamentos. Norberto Ortigara, do Deral, informa que o produtor está recebendo cerca de R$ 8,00 a arroba do algodão em caroço, preço que supera o custo de produção estimado em R$ 6,00. Segundo Ortigara, a produção é pequena no Paraná, devendo atingir 115.000 toneladas de algodão em caroço, e por isso está sendo bastante disputado pelas usinas de beneficiamento.
Para a colheita mecanizada, os produtores paranaenses terão à disposição uma variedade de algodão desenvolvida pela Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico, a Codetec-401. Essa variedade foi lançada em caráter experimental na safra passada, e permite a entrada de máquinas, além de produzir plantas uniformes e fibra de boa qualidade, acrescentou Turra.

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