MP denuncia 4 pessoas por sumiço de soja
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) estadual ofereceu denúncia contra três empresários e um funcionário do Porto de Paranaguá acusados de participar do ''sumiço'' de 2 mil toneladas de soja em 2003. De acordo com as diligências do MP, Noli Rocha Cordeiro e Luiz Escomassão, sócios da empresa Uninave, teriam se apropriado indevidamente de soja pertencente ao pool de empresas depositárias do silão do porto. A manobra teria sido facilitada por Valdir Never, chefe de operações portuárias e Edson José Alves, que prestava serviços à Uninave.
De acordo com o MP, em outubro de 2003, a Uninave necessitava carregar duas mil toneladas de soja mas não tinha a mercadoria armazenada no porto. A empresa então remeteu uma carga de soja que estava armazenada no silo das empresas que atuam no porto, mas não efetuou a reposição da mercadoria.
O caso do ''sumiço'' da soja acabou tendo repercussões no campo político, após o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) Eduardo Requião acionar a polícia para investigar o desaparecimento dos grãos. A Assembléia Legislativa decidiu instalar uma CPI para apurar o caso, além de outras irregularidades encontradas no porto. A CPI terminou os trabalhos no início deste ano, enviando o relatório de suas conclusões ao MP.
Além do sumiço da soja, dois outros fatos foram denunciados pelo MP. Os sócios da Uninave Noli e Luiz foram denunciados por oferecer à APPA como garantia de débito 2,5 mil toneladas de farelo de soja que pertenciam a outra empresa, a MGT Brasil. Além dos quatro envolvidos no sumiço, o sócio da empresa Nave Cereale Adalberto Ignácio também foi denunciado por oferecer como garantia soja pertencente a outra empresa. Os cinco irão responder por estelionato. A reportagem da Folha tentou contato com os envolvidos no caso mas não obteve sucesso.


