MP apura uso de conta de mutuário no caso Cidadela
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O Ministério Público Estadual começa a investigar com mais intensidade nessa semana a denúncia de que a Carteira de Crédito Imobiliário do Banestado usou de estratégia fraudulenta para manter financiamento habitacional para a construtora Cidadela, uma das grandes devedoras do banco com dívida próxima a R$ 45 milhões.
A denúncia entregue na semana passada ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Rodrigo Chemin Guimarães, dá conta de que centenas de pessoas físicas teriam sido usadas para o banco repassar dinheiro à construtora. Por contas bancárias dos clientes, a empresa teria recebido R$ 9 milhões apenas entre janeiro e maio deste ano.
Segundo informou uma fonte ontem à Folha, que prefere ficar no anonimato, a irregularidade está na forma como o repasse do dinheiro era feito. O banco não poderia financiar pessoas físicas, pois o imóvel que elas compravam ainda estava na planta. Além disso, elas não teriam renda suficiente para receber financiamentos tão altos.
Um vigilante que ganhava em torno de R$ 600, por exemplo, teria recebido um crédito de R$ 40 mil, o que daria uma prestação do imóvel que comprometeria mais de 30% de seu salário.
Pela denúncia, os clientes da Cidadela davam uma procuração à construtora para que ela abrisse contas bancárias em seus nomes. Em seguida, a Carteira de Crédito Imobiliário passava a depositar nas contas destas pessoas quantias que variavam conforme o financiamento. Os valores poderiam chegar a R$ 150 mil.
O dinheiro era imediatamente sacado por administradores da Cidadela, que tinham procurações para tal, e depositado em contas das empresas CAP Participações e Administração, Brejatuba Incorporações ou Mosaico Empreendimentos Imobiliários. A Folha apurou que as três empresas pertencem ao grupo Cidadela e algumas funcionam no mesmo endereço e telefone.
O diretor de Crédito Imobiliário do Banestado, Ricardo Khury, diz que toda operação é legal e teve a aprovação da diretoria do Banestado. Passamos a financiar o mutuário e não a empresa, pois quisemos evitar o surgimento de uma Encol paranaense, afirmou Khury. O gestor da Cidadela, Antonio Rycheta Arten também assegura que não há irregularidade.


