Porto Alegre - O Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul começou a cumprir ontem cinco mandados de prisão e 16 de busca e apreensão de documentos na sexta etapa da operação Leite Compen$sado, que apura fraudes na produção e distribuição de leite. As ações ocorrem em dez cidades gaúchas e em Londrina, onde a Confepar Agro-Indústria Cooperativa Central é suspeita de adquirir leite fraudado ou em deterioração.
Pela primeira vez a operação descobriu uma ramificação do esquema que envolve também o Paraná. De acordo com o MP gaúcho, esta fase da operação se concentrou no envio de leite adulterado do norte do Rio Grande do Sul para a Confepar, que produz leite UHT e derivados da marca Polly. Os mais de seis meses de investigações indicam que a Confepar tinha conhecimento de que adquiria leite fraudado ou em deterioração do Rio Grande do Sul. O volume total do produto levado do Estado pode chegar a 7,3 milhões de litros por mês.
A Cooagrisul, da cidade gaúcha de Taquaruçu do Sul, seria uma das fornecedoras do leite adulterado. Há indícios de que o presidente da cooperativa comprava ureia, uma das substâncias usadas para aumentar o volume do leite. A operação também aponta o envolvimento de diversas transportadoras que entregavam o produto adulterado.
Além de Londrina, os mandados são cumpridos nos municípios gaúchos de Taquaruçu do Sul, Ijuí, Ibirubá, Campina das Missões, São Martinho e Cruz Alta. Até o momento quatro pessoas foram presas na ação: Fernando Júnior Lebens, responsável pela captação no posto de resfriamento da Confepar em São Martinho; o presidente da Cooagrisul, Alcenor Azevedo dos Santos; o transportador de leite Diego André Reichert; e Cleomar Canal, um dos sócios da Transportes Três C, de Ibirubá. Conforme o MP, Canal já foi denunciado pela mesma prática delituosa na primeira fase da Leite Compen$ado, em maio de 2013, mas o processo ainda não foi julgado. Uma quinta pessoa continua a ser procurada no Paraná.
Em coletiva de imprensa ontem, na cidade gaúcha de Santo Augusto, o promotor Mauro Rockenbach disse que em apenas dois dias de fiscalização do Ministério da Agricultura 60 amostras de leite foram consideradas impróprias para o consumo. Segundo ele, o destino de todo esse produto era o Paraná. "A Confepar sabia que estava recebendo produto impróprio para o consumo. O que observamos é que essa cooperativa entrou no RS há aproximadamente 18 meses para realizar uma concorrência criminosa, pagando um valor maior pelo litro do leite e cooptando rotas de produtores que antes forneciam para outras indústrias", afirmou.

Outro lado
A Confepar Agro-Industrial Cooperativa Central divulgou uma nota na tarde de ontem, na qual diz que "é terminantemente contra qualquer tipo de adulteração no leite. Afirma também que sempre prezou pela qualidade dos produtos, fazendo diariamente todas as análises, por mais de 32 anos, garantindo assim, a qualidade final dos produtos da marca Confepar".
Na nota, a empresa cita ainda que sempre colaborou com as investigações e que se mantém à disposição da Promotoria para qualquer esclarecimento. (Com Reportagem Local)

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