O deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) afirmou, no Clube da Soja, que a Medida Provisória (MP) dos Portos poderia dar a segurança que o empresariado precisa para começar a investir em infraestrutura. Ele diz que há outros problemas que têm de ser resolvidos, como as dificuldades impostas durante o processo de licenciamento ambiental, mas que a MP seria o primeiro passo para sair da inércia. "Vivemos um momento em que o localizado vale mais do que a visão de planejamento para o País", disse, em ataque aos contrários à aprovação da proposta.
Com o início da ampliação da capacidade portuária, que demoraria mais de cinco anos depois da aprovação da lei, seria possível favorecer o agronegócio mais rapidamente. O economista Raul Velloso lembrou que, no cenário atual, quem sofre mais é a indústria, mesmo com o momento de ganhos de renda e emprego da população, com crédito mais amplo. A inflação que aparece no serviço de transporte, portanto, é a que aparece no produto industrial, que perde competitividade no mercado internacional, e no alimento que vai até a gôndola. "O modelo de consumo de massas não fecha se não tiver um setor que gere divisas", disse o economista.
Para ele, os únicos dois que podem responder a essa necessidade no momento são o agropecuário e o de extração de minerais. "Há uma visão equivocada que o Brasil tem de ser industrial e não exportador de matéria-prima. Essa visão tem de ser desfeita", disse, em relação aos problemas de infraestrutura que elevam o Custo Brasil. O economista disse que é necessário um "fiel da balança". "Precisa de um setor que exporte e eleve a massa salarial. Tem de começar a pensar no agronegócio como esse setor." (F.G.)

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