Curitiba - O número menor de feriados durante o ano pode ser uma ''faca de dois gumes''. O economista do Dieese, Sandro Silva, defende que é necessário ter feriados para as pessoas descansarem. ''Se o trabalhador não tem folga, vive estressado e a produtividade pode ser menor'', justificou.
Ele lembrou que uma das bandeiras do movimento sindical é reduzir a jornada de trabalho. ''Não tem sentido trabalhar na mesma carga horária de 20 anos atrás sendo que hoje há mais tecnologia. Tem muitas pessoas trabalhando além da jornada normal de 44 horas semanais. Grande parte da população trabalha além da jornada e, por outro lado, há muita gente desempregada'', disse. Para ele, uma forma de reduzir o desemprego é diminuir a jornada de trabalho.
Uma nota técnica elaborada pelo Dieese em novembro do ano passado aponta que as intensas jornadas de trabalho trazem diveros problemas como estresse, depressão e lesões por esforço repetitivo (LER). O estudo mostra que há condições para a redução da jornada já que a produtividade do trabalho mais que dobrou nos anos 90, o custo dos salários é um dos mais baixos do mundo e o peso dos salários no custo total de produção é baixo.
Segundo a nota, a redução da jornada permitiria a geração de novos postos de trabalho, diminuição do desemprego, da informalidade, aumento da massa salarial e produtividade do trabalho e teria como consequência, o crescimento do consumo que levaria ao aumento da produção.
Cálculos realizados pelo Dieese apontam que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais teria o impacto de gerar em torno de 2,252 milhões novos postos de trabalho no País.
No final do ano passado, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu uma jornada semanal de apenas três dias, com expediente de quatro horas, o que totalizaria 12 horas por semana. Para ele, com o acúmulo de capital que o sistema financeiro internacional obteve, não haveria motivo para alguém trabalhar mais do que isso.

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