O movimento nas rodovias paranaenses caiu 2,5% em julho em relação ao mesmo mês de 2014, resultado pior do que a alta de 2,3% registrada no mesmo período no País, segundo o índice ABCR divulgado ontem pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias. O Estado apresenta retração ainda maior no tráfego pesado, negativo em 6,1% no mês, enquanto o País recuou 5,3%, indicadores que refletem o desaquecimento industrial no período.
Somente no acumulado do ano é que o Paraná aparece com resultado pouco melhor do que o Brasil, apesar de ainda fraco, conforme o índice ABCR, feito em parceria com a Tendências Consultoria Integrada. Houve queda de 4,9% no Estado e de 5,6% no País, no comparativo com janeiro a julho de 2014.
Para o economista Rafael Bacciotti, da Tendências, o fraco desempenho da indústria, cuja produção recuou 2,1% no segundo trimestre em relação ao período imediatamente anterior, explica os números. "O pessimismo dos empresários e o elevado patamar de estoques limitam a reação do setor, ainda que a desvalorização cambial dê algum fôlego às exportações", afirma, em nota.
Se os números de julho tiveram pequena alta no indicador nacional, ele ressalta que se deve apenas ao resultado do tráfego de veículos de passeio. Isso porque o desaquecimento econômico demorou mais para ser sentido em termos de emprego e renda do que pela indústria e o setor de transportes. Bacciotti acredita que a defasagem no indicador ainda deve aumentar no ano. "Queda de rendimentos e piora na obtenção de crédito pessoal, além do declínio da confiança do consumidor, atuam no sentido de conter a demanda", explica o economista.
No Paraná, o transporte no acumulado do ano apresenta resultado um pouco melhor do que o nacional devido ao bom momento do agronegócio. O assessor da Presidência da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, lembra que a safra precisa do transporte e, pela estimativa de recorde para o ano, não é responsável pelo problema. "Temos quase 70% da soja comercializada e boa parte do milho safrinha também. São as outras atividades econômicas que estão em baixa", diz.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Antonio Cantú, afirma que o setor sofreu queda média de 20% a 30% no volume de cargas carregadas no Estado em 2015. "Isso dependendo do setor econômico, porque caiu até 50% em relação às montadoras", ressalta o empresário.
Como nos últimos anos houve um boom na aquisição de caminhões, a baixa demanda dos últimos meses prejudicou a categoria também na negociação pelo frete. Por isso, boa parte das transportadoras e dos autônomos tem ficado parados. Cantú estima em 100 mil veículos sem carga. "Devido ao baixo volume de cargas, os embarcadores estão fazendo concorrência e têm conseguido baixar bem o preço, apesar de nossos custos estarem majorados em 9%", reclama.

Mensal

A comparação de julho sobre junho aponta para queda de 2,8% no fluxo de veículos no Paraná, já considerados os ajustes sazonais. A circulação de automóveis e utilitários leves caiu 1,8% e a do tráfego pesado recuou 3,1%. Os números nacionais no mesmo comparativo ficaram em retração de 1,0% no geral, diminuição de 1,8% para leves e aumento de 0,4% para cargas, conforme o índice ABCR.

mockup