A comissão do Movimento de Moradores da Região Oeste-4 encaminhou ontem um ofício à Prefeitura Municipal de Londrina pedindo a implantação da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) ou porto seco na região. Formado por moradores dos jardins Santa Rita, Maria Lúcia, Leonor, Santa Madalena, Santiago e bairros vizinhos, o movimento representa aproximadamente 20 mil pessoas e estima que pelo menos 15% delas tenham condições imediatas para trabalhar no porto.
O ofício foi levado à prefeitura pelo presidente da comissão, Adevanil Generoso, e o secretário, José Viana de Queiroz. O terreno em questão, com cerca de 110 mil metros quadrados, fica na Avenida Cerqueira César Coimbra, número 830 e, segundo dados da comissão, pertence ao governo federal. O local já teria benfeitorias, como barracões, pavimento, desvios ferroviários e plataformas para carga e descarga.
''Não acredito que exista em Londrina uma área disponível com tal infra-estrutura'', afirmou ele. ''Por ser um terreno da União, as negociações para a liberação seriam facilitadas'', disse. ''Se nossa solicitação for atendida, toda a região será beneficiada com empregos e temos pelo menos três mil pessoas prontas para trabalhar.'' De acordo com informações da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), não é possível prever quantos empregos podem ser gerados com o porto antes da liberação do edital, esperada para março.
A assessoria de comunicação da prefeitura de Londrina informou à reportagem da Folha que o secretário de Governo, Adalberto Pereira, já encaminhou o ofício ao Ministério da Fazenda, através da Receita Federal, responsável pela execução do processo licitatório. Porém, a prefeitura considerou pequena a possibilidade de a Receita levar o pedido em consideração.
Da mesma forma, o delegado substituto da Receita Federal em Londrina, Mário Sonomura, acha difícil que o ministério vincule um terreno da União à licitação. ''O Planalto não doaria uma estrutura para uma empresa privada'', argumenta. ''O que o edital de licitação pode fazer é exigir um local com acesso facilitado, mas não é possível limitar a localização do porto. É uma decisão que cabe à empresa que vencer a licitação'', explica Sonomura.

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