Movimento no comércio cai até 60% com a gripe
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quarta-feira, 09 de setembro de 2009
Nelson Bortolin<br> Especial para a FOLHA 
A gripe A, que até ontem contaminou 211 londrinenses, também tem sido responsável por um prejuízo enorme no comércio local. Embora ainda não existam estatísticas precisas, lojistas entrevistados pela FOLHA apontam uma queda de até 60% no movimento, principalmente no mês de agosto, quando o número de vítimas do vírus H1N1 aumentou em todo o País.
''Em 19 anos, eu nunca vi movimento tão fraco nos corredores do shopping'', afirma Neide Fávaro, gerente da loja M.Fleury, localizada no Catuaí Shopping. Segundo ela, a queda foi de pelo menos 50% no número de pessoas que circulam pelos corredores. ''Não tive prejuízo porque nossa clientela é fidelizada e a gente trabalha muito com sacolas. Então, mandamos os produtos para as casas das clientes'', conta. A gerente acredita que o pior já passou. ''No último final de semana, o movimento estava muito grande''.
Avaliação parecida tem a subgerente das Livrarias Porto, Maria Márcia Magro, cuja loja também fica no Catuaí. ''Estimo uma queda de 60% na frequência''. O público, que aos finais de semana lota o espaço para literatura infanto-juvenil da livraria, ''praticamente zerou'' em agosto, de acordo com ela. A alternativa também foi trabalhar com entregas em casa. Para não sofrer mais prejuízos, a loja ofereceu gratuitamente o serviço que, normalmente, é pago.
''Com as temperaturas mais altas dos últimos dias, estamos sentindo a volta dos clientes ao shopping'', alega Maria Márcia. Segundo ela, o impacto da gripe foi maior nas livrarias em virtude do fechamento das escolas e faculdades. ''Agora tudo começa a voltar ao normal'', diz aliviada.
No centro da cidade, a situação não é diferente. O gerente do Shopping Quintino, Anderson Gomes Ferreira, classificou como ''tremendo'' o impacto da gripe na movimentação de clientes. ''Nos dias muito frios, as pessoas se afastaram mais'', diz ele, estimando uma queda de 30% a 40%.
Nos hotéis da cidade, a queda no número de hóspedes é estimada em 20%, segundo o presidente do Sindicato dos Hotéis, Alzir Bocchi. O prejuízo, de acordo com ele, foi mais prolongado. ''Desde maio, estamos recebendo menos visitantes'', alega. O cancelamento de eventos, como o Baile do Rubi (adiado de agosto para setembro), segundo ele, é o principal motivo para a ausência dos hóspedes. ''Para a gente, é uma queda significativa, na maioria dos casos, difícil de recuperar''. Bocchi também aponta um reaquecimento na procura pelos hotéis da cidade.
A gripe A também representou prejuízo aos informais. A queda na frequência de consumidores no Camelódromo Londrina, segundo o gerente administrativo Samuel dos Santos, foi de 30%. ''Foi um baque geral para todo mundo aqui no centro. Até na igreja que eu frequento, as pessoas deixaram de ir, imagine no comércio''. A última semana, segundo o gerente, foi de recuperação do movimento.
Voz dissonante é a de Denison Camargo, funcionário do Departamento de Marketing do Shopping Royal. ''Aqui não houve decréscimo nenhum. Mantivemos uma média de 13 mil a 14 mil pessoas presentes por dia'', garantiu.


