Curitiba - O movimento dos consumidores nas lojas do País caiu 3,2% em junho na comparação com maio, descontados os efeitos sazonais, de acordo com levantamento realizado pela Serasa Experian. Na comparação com junho do ano passado, foi registrada alta de 0,7%. A instituição apurou, por meio do Indicador de Atividade do Comércio, que no acumulado do primeiro semestre o movimento dos consumidores no comércio cresceu 3,6% em relação ao mesmo período de 2013.
Em junho na comparação com maio, a diminuição do movimento está relacionada aos feriados decretados em razão da Copa do Mundo, avaliam os economistas da Serasa. Além disso, a instituição aponta a elevação das taxas de juros, a menor geração de empregos e as incertezas com a economia como fatores que fizeram diminuir o número de consumidores.
Apenas o segmento de tecidos, vestuário, calçados e acessórios manteve estabilidade no comércio na passagem de maio para junho. Todos os demais tiveram redução na movimentação de consumidores: material de construção (-13,1%), combustíveis e lubrificantes (-12,3%), veículos, motos e peças (-6,4%), supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-4,2%) e móveis, eletroeletrônicos e informática (-3,0%).
O presidente da Federação do Comércio do Paraná, Darci Piana, lembrou que o comércio do Estado já sentiu estagnação de vendas nos meses de fevereiro e março e, depois disso, começou a cair. Para ele, os principais motivos para a queda de movimento em junho foram os juros altos, os feriados com a Copa, a greve de ônibus que ocorreu em Curitiba e as exigências maiores para a concessão de crédito em função da inadimplência das famílias.
Ele lembrou que um levantamento da própria Fecomércio mostrou que 87% das famílias de Curitiba estão endividadas. "Estamos chegando no limite do endividamento", disse. E alertou que 65% das dívidas são com cartão de crédito, que têm os juros mais altos do mercado.
Para ele, a tendência é que as vendas caiam ainda mais. Piana prevê que o setor feche o ano com crescimento de 5% nas vendas no Estado ou até menos que este percentual. "Não há nenhuma perspectiva por enquanto que aponte que possa melhorar", disse.
O assessor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama, disse que a Copa faz o consumidor ficar em casa. "O comércio fecha nos dias de jogos, o que compromete o volume de vendas", afirmou. Segundo ele, a alta da inflação também inibe o consumidor que acaba se tornando mais cauteloso na hora de gastar. "Existe um desaquecimento da economia em todos os segmentos, além do alto índice de inadimplência do consumidor", disse. "Se as vendas do comércio empatarem com as de 2013, já é motivo para agradecer", afirmou.
O diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcelo Ontivero, disse que, em Londrina, também ocorreu queda de vendas em junho, apesar de ainda não ter o levantamento fechado. Para ele, as vendas do comércio foram influenciadas pelo momento econômico mais turbulento, pelo endividamento, inflação alta e queda no índice de confiança do consumidor. Para o fechamento de 2014, ele prevê estabilidade de vendas em relação ao ano passado.

Semestre
No primeiro semestre, a alta no varejo foi puxada pelo setor de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (3,7% contra igual período de 2013). Na sequência, vêm combustíveis e lubrificantes (3,0%), material de construção (2,4%), móveis, eletroeletrônicos e informática (0,5%) e veículos, motos e peças (0,3%). Apenas o setor de tecidos, vestuário, calçados e acessórios registrou queda ante 2013, de 3,4%.

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