Não vai ser fácil para o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR) convencer a categoria a voltar a embarcar no Porto de Paranaguá os produtos da safra. Dentro do próprio movimento sindical, há um racha no comando da paralisação. ‘‘A liderança de Diumar Bueno (do Sindicam-PR) é contestada e o acordo não é respeitado pelos donos de terminais’’, afirmou o presidente do Sindicam de Londrina, Carlos Della Rosa, que estava ontem com os manifestantes em Paranaguá.
Segundo Della Rossa, mesmo com as negociações formalizadas, ontem no começo da noite, os donos dos terminais não estavam pagando o valor de R$ 0,40 estipulado em reunião. ‘‘Está acontecendo muito bate-boca para conseguir que eles cheguem em R$ 0,35’’, afirmou. O acordo do governo e caminhoneiros foi aceito pelas cooperativas e terminais: Soccepar, AGDL, Cargill, Coamo, Coimbel, Wal, CBL e Cotriguaçu. ‘‘Mas na prática, essas cooperativas não estão querendo honrar o estabelecido, porque faltou legitimidade nas negociações’’, cutucou Della Rossa.
Para hoje, o sindicalista de Londrina estima que os caminhoneiros permaneçam paralisados. Carlos Della Rosa disse que teme uma ação mais dura da polícia.
Ontem policiais tiveram que intervir para permitir que os caminhões que transportam produto para terminais privados furassem a fila, desembarcando em silos fora do Porto. Alguns veículos foram impedidos pelos manifestantes, que protestavam por causa da estadia. Hoje, a triagem para retirar os veículos com carga para terminais privados vai continuar.
Enquanto o impasse não se resolve, motoristas como Aparecido Ocani Cordeiro, 31 anos, reclamavam do valor da estadia. Transportando soja para a Cargill, Cordeiro se queixava da forma como foi pago pela empresa. O motorista recebeu R$ 0,40, mas, segundo ele, por um período muito curto. (I.R.)

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