O volume de vendas registrado pelo comércio de Curitiba durante o Natal deste ano deve ficar abaixo apenas do desempenho de 1994, quando o lançamento do Plano Real impulsionou o mercado. A afirmação é do vice-presidente de Serviços da Associação Comercial do Paraná (ACP), Elcio Ribeiro, que acredita num crescimento entre 5% e 10% nas vendas natalinas em 1998.
Segundo Ribeiro, dados apurados pela ACP até a terceira semana de dezembro já apontavam para um crescimento significativo no faturamento. ‘‘Comparando os dados da terceira semana de dezembro do ano passado com os números deste ano, percebemos um crescimento nas consultas junto ao Seproc (Serviço de Proteção ao Crédito) em torno de 5,65%. Em 1997 tivemos 113.104 consultas ao serviço, enquanto que em 1998 tivemos 119.489’’, disse.
Josoé de CarvalhoCom o pé atrásEm todo País, prevaleceram vendas à vista e de curto prazo neste Natal: sinal de cautela do consumidorO vice-presidente explicou, que depois deste indicativo, outros dois fatores apontaram para que as previsões favoráveis se consolidem. O primeiro foi o pagamento da segunda parcela do 13º salário, que influenciou positivamente as vendas a partir da terceira semana. ‘‘Muitos trabalhadores só receberam seu dinheiro depois do dia 21 de dezembro, quando as estatísticas da ACP até a terceira semana de dezembro já haviam sido fechadas’’.
Este dinheiro - em torno de R$ 730 milhões - deu um novo fôlego aos consumidores, que saíram às compras e lotaram as lojas e shoppings na semana do Natal. O segundo fator indicador que o desempenho das vendas de Natal deste ano deve surpreender, foi a explosão no número de pesquisas junto ao Seproc no dia 23 de dezembro. Neste dia, o Seproc apresentou o maior número de consultas desde a sua criação, com 37.139 atendimentos em um único dia, superando em mais de quatro vezes a média diária que é de 8 mil consultas. ‘‘Apesar de ainda não termos os números oficiais, já trabalhamos com um crescimento em torno de 7,5% nas vendas. Este desempenho vai poder ser confirmado no dia 30 de dezembro, quando apresentaremos o balancete das vendas de Natal’’, disse.
LondrinaAs vendas de Natal no comércio londrinense ficaram abaixo das expectativas da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que no mês passado previa um crescimento de 10% em relação a dezembro passado. Segundo dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), administrado pela Acil, as vendas a prazo tiveram uma queda de 10,28%. Em dezembro deste ano foram feitas 140 mil consultas ao serviço contra as 156.356 registradas no mesmo período de 97. Isso representa uma diferença de 16.356 mil consultas de um ano para outro.
Já as vendas à vista aumentaram 9,34% neste mês, segundo a Acil. O Protecheque registrou 54.594 consultas - 4.668 a mais do que em dezembro passado. O saldo deste Natal, entre consultas ao SCPC e ao Protecheque, são 11.688 menos do que as registradas em dezembro de 97. Apesar disso, o presidente da Acil, Valter Orsi, afirma que o comércio de Londrina teve um resultado de vendas bom neste final de ano. ‘‘Houve aumento nas vendas à vista, uma diminuição de 8,11% nos registros de débitos e um acréscimo de 12,55% no número de cancelamentos de dívidas. Isso mostra o amadurecimento do consumidor, que está fugindo dos juros, e resgatando sua credibilidade’’.

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