Imagem ilustrativa da imagem Movimento é pequeno na Ceasa no primeiro dia de funcionamento após paralisação
| Foto: Marcos Zanutto



No primeiro dia de abertura após ter sido fechada devido à paralisação dos caminhoneiros, a Ceasa de Londrina teve um movimento considerado pequeno nesta quinta-feira (31), tanto de vendedores quanto de compradores. Mesmo assim era possível comprar frutas e legumes, já as hortaliças ainda eram oferecidas em pequena quantidade.

Além de ser feriado, a quinta-feira não é um dia habitual de comercialização, que acontece às segundas, quartas e sextas-feiras. A principal hipótese entre os comerciantes sobre o pouco movimento era de que os produtores não haviam tido tempo de colher e a expectativa é de que as vendas voltem ao normal na sexta-feira (1).

Parte de quem conseguiu entregar alguma mercadoria foi porque já tinha estocado, como o produtor de pepinos Douglas Santag Franco, de Faxinal. "Trouxe 50 caixas que já havia colhido, o pepino não pode ficar no campo porque senão cresce demais. Mas o movimento foi fraco, talvez porque os compradores não sabiam que a Ceasa iria abrir hoje. De qualquer forma vendi bem, achei que ia ser pior."

Jorge Ribeiro trouxe um caminhão de batatas de Guarapuava. Segundo ele, o tubérculo havia sido carregado na quarta-feira (30), depois da notícia de que a Ceasa iria abrir. Ele explicou que quando começou a greve nem tentou trazer a mercadoria, para não correr risco de ficar preso no bloqueio. Nem todos tiveram a mesma sorte. A reportagem da FOLHA presenciou o descarregamento de uma carga de abacaxis, vinda de Minas Gerais. Mesmo tendo sido colhido verde, parte das frutas se perdeu por ter ficado vários dias na estrada.

Não foram somente os vendedores que tiveram prejuízo. Dono de um box que comercializa frutas, Marcos Martini contou que perdeu melão, mamão, poncã e iria aproveitar o dia de balanço para contabilizar os prejuízos. O baixo movimento fez também com que ele encerrasse o expediente uma hora mais cedo. "Vieram poucos compradores, a maioria de fora de Londrina. De qualquer maneira os preços das frutas continua igual, não tivemos aumento por conta da paralisação", garante.

Sérgio Magno, empregado de um box que comercializa alho, recebeu uma carga vinda da Argentina que havia sido retida na estrada. Ele afirma que os preços não sofreram alteração, até por conta da mercadoria ser importada. Porém, também não havia conseguido concretizar muitas vendas no feriado.

Vendedor de hortifrútis, Gilmar Nunes carregava um caminhão para entrega aos clientes e afirmou que aos poucos começou a chegar os produtos que estavam retidos nos bloqueios. "Acredito que o movimento deve se normalizar na segunda-feira. Perdemos pouca coisa, porque paramos antes da greve e procurei distribuir tudo. Hoje recebemos produtos da região, como Bandeirantes e Faxinal. Os preços tiveram pequena alteração. De maneira geral, as frutas e legumes estão cerca de 30% mais caros. Os maiores aumentos foram da batata, cerca de 150% e da cebola, entre 80% e 90%. O tomate, por ser produzido na região, deve manter os preços.

Conforme apurado pela reportagem, a saca da batata estava sendo comercializada entre R$ 120 e R$ 150, o que os produtores consideram uma baixa, já que o tubérculo chegou a R$ 300 durante a greve dos caminhoneiros.

Em plena safra, a caixa de morango era comercializada a R$ 15, mas a expectativa é de que o preço deve baixar progressivamente. "Tivemos poucos clientes, acho que porque hoje não é um dia que costumamos abrir. Grande parte dos compradores veio de Londrina mesmo, esperamos que amanhã o movimento seja maior. Ficamos sem mercadoria por todos esses dias, mesmo sendo comprada no Paraná, como Pinhalão e Jaboti. Para segunda-feira (4) esperamos um carregamento de Minas Gerais", explicou Alcir José de Oliveira.

Compradores

Vindo de Adamantina, no interior paulista, Marcos Gaião viajou cerca de 280 quilômetros até a Ceasa para comprar frutas e legumes, rotina que ele cumpre três vezes na semana. Dono de um pequeno supermercado, ele contou que estava conseguindo levar batata, tomate acelga, couve-flor, brócolis e também algumas frutas, como maçã.

"Com tudo parado não teve jeito, acabou faltando mercadoria. Espero que até segunda-feira esteja tudo normalizado, muitos produtores não vieram hoje e encontrei poucas frutas, o pessoal ainda não conseguiu trazer muita coisa da Ceagesp", disse ele, que também notou uma pequena elevação nos preços. "Subiu um pouco, mas acredito que vá estabilizar. Hoje paguei R$ 180 a caixa da batata e parte desse valor terá que ser repassado ao consumidor", lamentou.

Já Moacir Yoshida, dono de um sacolão em Londrina, aproveitou o feriado para olhar os preços das mercadorias mas não comprou nada. "Vamos abrir apenas meio período hoje (quinta-feira) e não ficamos desabastecidos porque compramos de produtores da região. Acho que os preços estão normais, os mesmos de antes da greve. E algumas coisas que tinham subido já abaixaram bem o preço, como a batata", ponderou.

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