Imagem ilustrativa da imagem Movimento é fraco, mas lojistas estão otimistas
| Foto: Victor Lopes



O movimento no último dia de compras para o Natal está sendo fraco no calçadão do centro de Londrina. Mesmo assim, os lojistas se mostram satisfeitos com os resultados das vendas. Já a maioria dos clientes afirma ter pisado no freio do consumo e demonstra pessimismo em relação à economia.

Na MM, loja de eletrodomésticos, o gerente Carlos Eduardo de Souza comemora o fato de estar faturando o mesmo que no Natal de 2015. "Ao longo do ano, estávamos vendendo 20% menos que no ano passado. Então, empatar nas vendas de Natal é um bom resultado", afirma. Este foi o único ano em que a loja não contratou funcionários temporários. "No ano passado, contratamos quatro pessoas."

Souza está bastante otimista quanto ao futuro. Para ele, a economia brasileira "estabilizou" com a troca do governo da ex-presidente Dilma Rousseff para o de Michel Temer. "A gente sente que a economia está mais estável. A tendência agora é só melhorar. Não há prognóstico ruim para o ano que vem", declara.

Dezembro foi um mês "excelente" para a loja de calçados Bolivar, segundo a gerente Ana Cristina Bená. "A gente acertou nas mercadorias", justifica. Segundo ela, a loja optou por colocar nas prateleiras produtos "bons e baratos". "Tivemos uma venda bem expressiva." A gerente diz que o faturamento cresceu na comparação com o ano passado, mas não revelou quanto. Na loja, foram contratados dois funcionários temporários. No ano passado, havia sido apenas um.

Na Billie, a gerente Solange Ramos estava empolgada porque faltava pouco para as vendas empatarem com as do ano passado. "Se empatar será uma vitória. Estou contente demais. Não vejo motivos para desânimo. Pelo contrário, tivemos um fluxo bacana, trabalhamos todos os dias até as 10 horas (da noite)", alega. Ela contratou cinco funcionários temporários como estratégia para "personalizar" o atendimento. "Se trabalho com mais vendedores, aproveito melhor o meu cliente."

Já, no Boticário, o Natal foi "das lembranças", segundo a gerente Maria Cardoso. "Vedemos alguns estojos de R$ 700, de R$ 1 mil, mas a maioria do que vendemos foram lembranças: um sabonete mais um hidratante, um sabonete mais um batom", exemplifica. Ela não consegui atingir a meta projetada. E o número de temporários caiu de seis, no Natal de 2015, para quatro, neste ano. Maria tem esperanças de que a economia volte a crescer nos próximos meses. "A gente espera que esse governo melhore as coisas para as pessoas voltarem a comprar."

CLIENTES

Em geral, os clientes afirmam ter comprado menos presentes que em 2015. Teve gente que nem comprou. É o caso da diarista Leonilda Maimone, que foi ao centro da cidade acompanhar a irmã. "Este é o Natal mais magro de todos os tempos", afirma. Ela só está trabalhando uma vez por semana e o marido perdeu o emprego de pedreiro. "Não vou comprar nenhum presente", conta. Leonilda está bastante pessimista quanto ao futuro. "Se for pelo que os outros estão falando vai ficar pior o negócio."

O servidor público Wellington de Moura foi ao centro comprar presentes de última hora. E disse estar sendo bastante cuidadoso nos gastos. "Com certeza, esse é um Natal muito mais magro. A crise fala por si só." Para ele, o momento é de poupar porque o futuro é incerto. "As perspectivas não são boas. Pelos projetos que tramitam no Congresso Nacional, é de se esperar um período difícil para todo brasileiro", diz.

O bancário aposentado Gilberto de Carli afirmou que seu orçamento está "mais apertado" e que gastou menos em presentes. "Não está faltando dinheiro,mas é preciso segurar. O momento do País é muito difícil e as perspectivas para o ano que vem não são das melhores", avalia. Já o servidor público Marcos Vinícius Lemos Chagas não fez economia. "Estou gastando a mesma coisa. Sou funcionário público e minha renda continua exatamente a mesma".

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