O pouco movimento na manhã de ontem para as compras de Natal no comércio na região central de Londrina reflete o momento crítico da economia brasileira. Consumidores circulavam pelas ruas com poucas sacolas nas mãos. Para não fechar o ano no negativo, algumas lojas já estão investindo em promoções para atrair os clientes. E apostam nos dias que antecedem a data para incrementar as vendas. Hoje o comércio de rua fica aberto das 9h às 17h.
Antonio Verza Filho, proprietário da loja Descontão, localizada no Calçadão, reduziu os preços dos produtos para aumentar o movimento. "Além disso, fizemos investimentos na ampliação da nossa loja para atrair mais consumidores", conta o empresário. Ele afirma que 2014 tem sido um ano atípico devido à crise econômica. Por isso, completa ele, os clientes estão evitando fazer grandes compras. Contudo, ele revela que as melhorias na loja estão dando resultado pelo elevado número de pessoas que se encontravam no estabelecimento ontem de manhã.
Mesmo com um consumo mais retraído até então, Verza Filho esperava boas vendas até o final da tarde de ontem. Hoje, a loja fica aberta durante todo o dia, mas ele acredita que as vendas deverão ser menores do que ontem.
A gerente da loja de brinquedos Renascer, Vania Cristina de Almeida, espera que as vendas de ontem até terça-feira, dia 23, se intensifiquem e alcancem um resultado igual ou melhor se comparado ao ano passado. "2014 foi um ano muito difícil para o setor", descreve a gerente. Vania aponta que, em média, os gastos na loja por consumidor tem girado entre R$ 30 e R$ 50, ante R$ 70 e R$ 80 gastos por pessoa no ano passado.
Até pouco tempo, Vania estimava um crescimento de 10% nas vendas de final de ano, mas essa estimativa já caiu para 7%. "No ano passado estava difícil até de entrar na loja", comenta a gerente em relação ao grande movimento registrado no final de 2013. Rosangela Peixoto, subgerente da loja de calçados Humanitarian, diz que o estabelecimento também tem registrado um movimento abaixo no comparativo com o mesmo período do ano passado. Mas também espera um aumento nas vendas até a chegada do feriado de Natal.

Do outro lado
Por parte dos consumidores, o ano também não tem sido fácil. A professora Alessandra Modenuti, por exemplo, tem achado o valor dos produtos muito alto, por isso só deve comprar neste ano o necessário. A analista de crédito Patrícia Carla afirma que, além dos valores mais elevados dos produtos, a alta prevista nos impostos que devem ser pagos no início do ano, como IPTU e IPVA, também deve restringir o volume de compras. O marmorista Lucas Chamlet, só foi às compras ontem para comprar o presente de sua filha de seis meses. Mesmo assim, a família deve reduzir os gastos neste final de ano.
Marcos Rambalducci, consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), explica que o consumidor está mais cauteloso neste ano devido ao mau desempenho da economia. Contudo, ele estima um crescimento de 5,5% a 6% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado. Ele estima que o londrinense deve levar para casa entre 3 e 4 presentes com o valor médio de R$ 60 por unidade.

Última hora
Para alívio e expectativa de muitos comerciantes, 17 milhões de consumidores de todo o País deverão deixar para comprar os presentes faltando uma semana para o Natal, ante 16,5 milhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz. A pesquisa foi realizada nas principais capitais do País.
O gasto médio do presente de Natal aumentou de R$ 86,59 em 2013 para R$ 122,40 em 2014, segundo o levantamento. O número de presentes deve ficar em 4,3 unidades por consumidor. A pesquisa revelou que apenas 5% dos entrevistados disseram que vão deixar de comprar o presente para aproveitar as liquidações de início de ano. Este percentual sobe para 13%, quando analisados apenas os consumidores com mais de 50 anos e cai para 0% entre os entrevistados de 25 e 34 anos.

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