A Hidrovia Tietê-Paraná movimentou no ano passado 5,363 milhões de toneladas de carga, 5,2% a menos do que em 1999. Desse total, 69% foi de areia. As mercadorias transportadas em longas distâncias, que formam a chamada carga nobre da hidrovia, sofreram queda ainda maior: totalizaram 1,418 milhão de toneladas, 13% a menos do que no ano retrasado.
No ano passado, a Tietê-Paraná movimentou em cargas nobres apenas soja, farelo de soja, óleo vegetal e cana de açúcar. Deixou de transportar milho, álcool xarope de cana e adubo, produtos que estavam nas barcaças em 1999.
Na avaliação do Departamento Hidroviário da Secretaria Estadual de Transportes, o menor movimento foi resultado de fatores como a estiagem, que fez com que os barcos saíssem com menor volume de carga para enfrentar a baixa profundidade das águas; a queda na colheita de alguns produtos, como a cana-de-açúcar; e também por razões contratuais. ‘‘É doloroso dizer que perdemos carga em 2000; mas foi o que aconteceu’’, diz o diretor do departamento, Oswaldo Rossetto Júnior.
O departamento assumiu o controle da Tietê-Paraná em setembro de 99, depois da privatização das empresas de geração de energia Cesp Tietê e Cesp Paranapanema. Rossetto, profissional de logística que veio da iniciativa privada, assumiu o cargo e passou a divulgar estatísticas mais realistas do que as da antiga administradora, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Segundo ele, das cerca de 6 milhões de toneladas transportadas anualmente pela Tietê-Paraná, 70% são de areia e cascalho. Ou seja, a carga efetiva da hidrovia é de apenas 2 milhões de toneladas.
Nos últimos anos, os números sobre transporte de areia e cascalho inflaram as estatísticas, dando falsa impressão sobre a capacidade da hidrovia. Ela continua transportando muito pouco, apesar dos cerca de R$ 2 bilhões aplicados no projeto hidroviário por sucessivos governos desde os anos 50.

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