O tráfego de passageiros no Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, caiu 9,2% em julho ante o mesmo mês de 2014 e 4,5% nos primeiros sete meses do ano na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo números da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Passaram pelo aeroporto 90.458 pessoas no mês passado e 625.420 entre janeiro e julho. Com maior movimento no chamado turismo de negócios, a cidade sofre mais com a crise econômica do que destinos de férias ou com grandes centros, como Foz do Iguaçu e Curitiba.
Balanços da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) relativos ao primeiro semestre de 2015 apontam para aumento do número de passageiros no País. A alta foi de 3,36% na movimentação em comparação com o mesmo período do ano passado para a SAC, em um total de 107,7 milhões de pessoas em todos os aeroportos nacionais. Na conta da Abear, que representa as quatro maiores companhias do setor, a medida de passageiros-quilômetros transportados cresceu 3,8%.
Isso porque, mesmo com a crise econômica, o transporte aéreo ganha cada vez mais adeptos no Brasil e é o preferido para 57% das pessoas que viajarão nos próximos seis meses, de acordo com levantamento do Ministério do Turismo. Porém, no Paraná, foi o aeroporto da capital e do principal destino turístico estadual, Foz do Iguaçu, os que mais tiveram alta no movimento entre os administrados pela Infraero.
Conforme dados do órgão federal, Londrina não compartilhou do crescimento nacional no período. No Aeroporto Afonso Pena, que atende a Região Metropolitana de Curitiba, a alta foi de 5,9% em julho e de 2,0% nos primeiros sete meses de 2015, na comparação com os mesmos períodos do ano passado. Em Foz, as variações foram de 14,3% e de 13,2%, respectivamente. "Historicamente, o primeiro semestre em Londrina é fraco, mas a maioria dos passageiros aqui são empresários. Não temos perfil de turismo, como Foz", diz o superintendente da Infraero em Londrina, Marco Pio.
Ele lembra que a diferença já foi maior no início deste ano. "Começamos janeiro com quase 20% de queda em relação ao mesmo mês do ano passado e hoje já estamos em 3%", explica Pio, ao já contabilizar dados preliminares de agosto. No segundo semestre, o superintendente acredita que o deficit diante do movimento de 2014 diminua ou vire um pequeno superavit.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Turismo de Foz, Paulo Angeli, se a crise econômica afetou negativamente o setor de viagens, a desvalorização cambial do real tornou mais atrativos os destinos nacionais. "As pessoas pararam de viajar para fora do País por causa do preço do dólar e escolhem cidades como Foz", diz.
Angeli completa que, para turistas estrangeiros, conhecer as Cataratas do Iguaçu também ficou mais barato. "A principal forma para se chegar a Foz é pelo transporte rodoviário, que tem uma média de 40 mil veículos no fim de semana, mas o aeroporto é um bom termômetro da demanda pelo turismo aqui."

Internacionais

Entre os aeroportos internacionais concedidos à iniciativa privada no País, Viracopos, em Campinas, registrou o maior aumento no semestre (8,83%), seguido por Brasília (7,07%) e Confins, em Belo Horizonte (5,46%). O Galeão, no Rio, ficou praticamente estável (0,05%) e Guarulhos, o maior do País em número de passageiros, teve queda (-1%). Ainda, Congonhas, administrado pela Infraero assim como o Afonso Pena, teve alta de 10,5%, conforme a SAC.

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