Entre os principais terminais aeroportuários do Paraná, o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, foi o único que registrou queda no movimento de passageiros no primeiro semestre de 2025. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo foi de 11,9%.

De janeiro a junho, 359.850 pessoas embarcaram ou desembarcaram no aeroporto de Londrina enquanto nos primeiros seis meses de 2024, foram contabilizados 408.496 passageiros.

A movimentação no terminal deve baixar ainda mais nos segundo semestre, com a extinção de dois voos operados pela Azul Linhas Aéreas. A companhia anunciou, no início deste mês, que os voos diretos entre Londrina e Curitiba no período da manhã deixarão de ser ofertados a partir da próxima segunda-feira (4).

Os números foram divulgados pelo Grupo CCR, que detém a concessão dos aeroportos do Paraná. O terminal mais movimentado do Estado é o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, por onde passaram 2,909 milhões de pessoas no primeiro semestre de 2025. Um avanço de mais de 7% sobre os resultados do ano anterior, quando foram computados 2,716 milhões de passageiros.

Na sequência, estão Foz do Iguaçu (Oeste), que cresceu 11% em movimentação, saltando de 971.295 no ano passado para 1.078.667 neste ano, e Maringá (Noroeste) que teve alta de 12%. No primeiro semestre de 2024, foram registrados 361.959 passageiros no terminal maringaense e neste ano, 407.245.

ILS

O aeroporto de Londrina espera há décadas a instalação do ILS, instrumento de auxílio a pousos e decolagens em condições climáticas desfavoráveis. A falta do equipamento é apontada por lideranças políticas, empresários e representantes do setor produtivo local, de forma recorrente, como um dos entraves para a expansão da malha aérea na cidade e para o crescimento de todas as vertentes do turismo e do volume de negócios que dependem do aeroporto para serem concretizados.

Competitividade

Agora, com o enxugamento da oferta de voos, a cidade perde ainda mais nas condições de competir com outros municípios pela atração de novas empresas e eventos.

“A gente perde o poder de barganha. Não temos o ILS e é nítido o disparo de Maringá (em movimentação no aeroporto) desde que colocaram o equipamento”, disse o presidente do Londrina Convention Bureau, Fernando Guimarães Teixeira.

Londrina tem no turismo de negócios uma importante força econômica e para evitar transtornos durante os grandes eventos, uma estratégia já amplamente utilizada pelos organizadores é dar preferência ao aeroporto de Maringá, oferecendo aos participantes o traslado para Londrina. “Não adianta investir milhões na realização de um evento e esbarrar em questões de meteorologia. A gente fecha um evento com 90, 120 dias de antecedência e acaba optando por levar um voo para uma cidade mais próxima, no caso, Maringá”, comentou Teixeira.

Se a falta do ILS já era motivo de preocupação, com a redução na oferta de voos a sensação é de que Londrina está ficando “ilhada”, disse o presidente do Londrina Convention Bureau. “Comercialmente falando, estamos ficando ilhados. Fica difícil trazer eventos para cá. Quando a gente vai vender um evento para grandes realizadores, os dados sobre voos e movimentação do aeroporto são utilizados como atrativo. Só que com os dados que temos hoje, acaba sendo um desserviço.”

Reunião

A entidade, junto com a Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), tenta agendar uma reunião com a CCR para discutir esse encolhimento.

Na semana passada, o prefeito Tiago Amaral recebeu representantes do Grupo CCR para conversar sobre as obras e procedimentos necessários para a instalação do ILS no aeroporto de Londrina. Na reunião, foram definidas as estratégias para acelerar os trabalhos de infraestrutura e viabilizar a instalação do equipamento até dezembro deste ano.

Segundo a CCR, recomendações técnicas adicionais emitidas pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da FAB (Força Aérea Brasileira), atrasaram a instalação do ILS.

“Este é um espaço de vital importância e não pouparemos esforços para viabilizar o ILS ainda em 2025 e todas as melhorias que forem necessárias. Temos expectativa de celebrar a implantação com uma grande festa no aniversário de Londrina, em 10 de dezembro”, destacou o prefeito em matéria publicada no Blog Londrina, o portal de notícias oficial do município.

A reportagem apurou ainda que durante a reunião com a CCR, Amaral teria garantido que a decisão da Azul Linhas Aéreas de suspender os dois voos diretos entre Londrina e Curitiba seria revertida.

Decisão incompreensível

Vice-presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Gerson Guariente disse que a redução de voos no aeroporto de Londrina é uma decisão incompreensível. “Quem usa constantemente os voos vê que eles estão sempre abarrotados, invariavelmente, a gente não consegue passagens e os preços são altíssimos. Há pouca oferta, muita procura e preço alto. A lógica seria ter mais voos”, avaliou.

Enquanto a Acil discute a questão com a CCR e com as empresas aéreas, os negócios que dependem do terminal de Londrina para serem viabilizados ficam prejudicados. “Estamos trabalhando em conjunto com a prefeitura, deputados e sociedade civil, tentando fazer reuniões para entender. Encaminhamos ofícios às empresas aéreas e estamos pressionando a CCR para as linhas voltarem e ter acréscimo de voos.”

Em nota encaminhada por meio de sua assessoria de imprensa, o Grupo CCR destacou que mantém um canal de diálogo permanente com as principais companhias aéreas do país, destacando o potencial econômico da região atendida, e reforçou a importância da articulação entre o setor produtivo e o poder público para fomentar a implantação de novas rotas aéreas comerciais.

Apesar da queda de 12% no número de passageiros no primeiro semestre, disse a empresa, o aeroporto de Londrina permanece viável economicamente com uma taxa média de ocupação dos voos computada em 86%, o que reafirma o potencial da região . "A operação é sustentada por uma gestão eficiente, diversificação de receitas e investimentos contínuos em infraestrutura e serviços, o que garante a atratividade do terminal para parceiros comerciais de diversos segmentos", disse a nota.

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