Movimentação de cargas em Paranaguá cresce 10%
Emerson Cervi
De Curitiba
O anúncio da quebra na safra de soja norte-americana nesse ano vai beneficiar os exportadores brasileiros a partir de junho. Os portos de Paranaguá e Antonina, que são os maiores em exportação de grãos sólidos do Brasil, devem apresentar um crescimento de 10% na movimentação de cargas em 2000. No ano passado, foram embarcados pelos dois portos 12 milhões de toneladas de grãos secos e farelo.
Os portos de Paranaguá e Antonina movimentaram 19,3 milhões de toneladas de produtos em 1999. Desse total, 18% ou 3,5 milhões de toneladas foi de soja em grãos e 22% ou mais de 4,3 milhões de toneladas de farelo de soja. A expectativa é que esse ano o total de cargas ultrapasse os 20,1 milhões de toneladas embarcadas e desembarcadas por Paranaguá e Antonina.
Segundo o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), engenheiro Osiris Stenghel Guimarães, outro atrativo para a soja brasileira é a estabilidade cambial. A cotação da moeda norte-americada está num patamar aceitável, diz. Além da soja, que representa mais de 40% do total embarcado por Paranaguá, os produtos que ganharam importância em 1999 são o açúcar a granel e a madeira.
A APPA vem conseguindo aumentar em 10% anualmente o volume embarcado nos portos parananeses. Entre os responsáveis pelo crescimento estão os investimentos em modernização nas instalações e a redução de custos.
Em Paranaguá, o custo para exportação de contêineres é de R$ 129,00, o mais baixo do Brasil. A política de eliminação de atravessadores barateou as operações em 20%. Com isso, os portos conseguiram atrair o interesse de um grande número de empresas. Trata-se do porto público mais privatizado do Brasil. Nos últimos 25 anos o índice de privatização chegou a 75%, diz o diretor empresarial dos portos de Paranaguá e Antoninta, Lourenço Fregonese.
O crescimento na movimentação de cargas em Paranaguá também é um indicativo da maior integração do Mercosul. Segundo Stenghel Guimarães, o Estado está se preparando para estumular a integração econômica do Cone Sul. Além de estar localizado em uma posição estratégica, próximo de seus parceiros comerciais, o Paraná registra expressivos investimentos para modernizar seu corredor de exportações.
Os portos de Paranaguá e Antonina estão na região que concentra mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em US$ 900 bilhões, de cinco países: Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Eles fazem parte de um programa de transporte intermodal que está sendo implantado no sul do Brasil.





