MOVIMENTAÇÃO - Mercado aquecido para fusões e aquisições
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de novembro de 2010
Andréa Bertoldi<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O volume de operações de fusão e aquisição de empresas pode acelerar no próximo ano. Há um mito no mercado que essas negociações acontecem apenas entre grandes companhias, mas as pequenas e médias empresas vêm tendo uma participação cada vez maior. No Paraná, a tendência é que nos setores de alimentos, saúde e construção civil ocorram mais negócios neste sentido. O Estado já é o terceiro em movimentação de abertura, fechamento e alteração contratual em Juntas Comerciais. São Paulo tem a liderança com 38% da movimentação total, seguido de Minas Gerais (11%) e Paraná com a fatia de 6,9%. Os dados são do Departamento Nacional de Registro de Comércio.
Geralmente, os pequenos empresários acham que este tipo de operação não cabe no bolso. Mas, o sucesso depende de uma boa estratégia inicial e da valoração mínima da empresa. Às vezes, o próprio dono da companhia não é o melhor vendedor porque pode levar junto o componente emocional para a negociação, disse o advogado Ricardo Becker, do escritório Becker, Pizzatto & Advogados Associados, especializado na área. Ele defende que a empresa tenha uma estrutura mínima para evitar problemas, como responder por passivos após a venda.
Outra missão considerada difícil é chegar ao preço de venda de uma companhia. A companhia vale mais que o patrimônio que possui. A valorização econômica está dissociada da valorização patrimonial e depende também do que a marca pode gerar de caixa futuro, explicou.
Antes de iniciar o processo é preciso preparar a empresa para evitar perder valor na hora da venda. Independentemente de haver a previsão de venda, manter a empresa sempre organizada mostra que a corporação tem algo fundamental que é a governança contábil.
A organização para uma possível venda também passa pela preparação psicológica dos proprietários. Pontos que geralmente são considerados críticos são as questões trabalhista e tributária que devem estar equacionadas e mapeadas antes de iniciar um processo de venda. O objetivo da preparação é agregar valor ao negócio.
Ele destaca que as fusões podem trazer alguns benefícios para as empresas como o crescimento rápido para novos mercados e o aumento de oportunidades. Em algumas situações a empresa tem capital mas, às vezes, falta o recurso financeiro que pode vir de outra companhia. Em outras situações, a venda é uma questão de sobrevivência.
Essas operações podem ajudar a eliminar conflitos familiares e societários, trazer tecnologia e conhecimento. O advogado defende a profissionalização das empresas familiares, ou seja, a presença de outras mentes.


