Movido a gás desde a fábrica
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Aline Machado Parodi Reportagem Local 
Um modelo flex da Audi, que funciona a gasolina e a GNV (gás natural veicular), está no Brasil desde abril para testes com o gás produzido no País. Nesta semana, ele veio ao Paraná para a montadora avaliar sua compatibilidade com o biometano produzido a partir dos resíduos da cana-de-açúcar.
A FOLHA conheceu o carro em Tamboara, no Noroeste do Estado, onde uma parceria entre as empresas GEO Energética e Acesa Bioenergia começa a produzir o biometano da cana (leia mais nesta página).
O A5 Sportback g-tron faz parte da família g-Tron e já está em circulação na Europa há quase dois anos. "Um grupo de trabalho está avaliando quais as adaptações que teriam que ser feitas em relação às especificações técnicas do GNV utilizado no Brasil e também as questões de aceitação de mercado e até de governo", afirma Gabriel Amabile, engenheiro da Audi. No Brasil, carro flex tem carga tributária reduzida, mas só entram nessa categoria os veículos que podem ser abastecidos com gasolina ou etanol.
O modelo segue o design e motorização do A5 Sportback - comercializado no Brasil. As mudanças estão embaixo do chassi, onde ficam dois tanques de combustíveis. Um de 19 kg (22 metros cúbicos) de gás natural, com quatro cilindros, feitos de fibras de vidro e carbono no eixo traseiro. E outro para 25 litros de gasolina.
O bocal de abastecimento tem entradas individuais para cada tipo de combustível. Com os tanques acoplados na parte debaixo do veículo, o carro não perde espaço no porta-malas.
O motor 2.0 TSI tem sistema duplo de injeção com potência de 170 cv (no GNV) e 190 cv (na gasolina). O carro ficou 90 kg mais pesado do que a versão só gasolina.
O grande diferencial do A5 g-tron está na emissão CO2. Segundo a Audi, o mais novo membro da família Audi g-tron faz até 26 km/kg de gás, com emissões de CO2 de 102 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado). No funcionamento com gasolina, o motor faz até 17 km/l do combustível, correspondendo às emissões de CO2 de 126 g/km (ciclo NEDC Europeu combinado).

DESEMPENHO
Em conjunto com a transmissão automática de sete velocidades, o A5 Sportback g-tron acelera de 0 a 100 km/h em apenas 8,4 segundos. Sua velocidade máxima é de 224 km/h (limitado eletronicamente).
Segundo os testes realizados no Brasil, em um ciclo combinado, o modelo faz entre 18 a 20 km/m3 e entre 27 a 27km/m3 na estrada. "A performance é melhor do que nos carros adaptados com GNV", afirma Amabile.
De acordo com ele, desde abril, o veículo rodou 11 mil km no Brasil, sendo que em 9 mil km foram com GNV, um consumo em torno de 390 m3 de gás. "O custo do km rodado foi quase a metade do que da gasolina", disse o engenheiro. "O preço médio do km rodado foi de R$ 0,16 no gás contra R$ 0,35 na gasolina", completa.
No painel do motorista, há informações sobre a quantidade de combustíveis e a qualidade do gás consumido. O sistema de computador de bordo faz uma leitura dos componentes do combustível quase em tempo real. "Quem nunca teve problema com combustível adulterado ou de má qualidade, né? No g-tron, dois ou três minutos após o abastecimento, o motorista já tem informações sobre a qualidade do GNV", diz o engenheiro.
Ainda não há definição de quando os modelos g-tron chegarão às concessionárias brasileiras. "Não há nada certo", desconversa Amabile. Além do A5-Sporback, a família conta com o A3 Sportback e o A4 Avante.


